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O mito da economia imediata: estradas em frangalhos, manutenção falha e sucata precoce

A entrada massiva de pneus importados de baixo custo no mercado nacional desencadeou um descompasso estrutural no setor de transporte, afetando diretamente a cadeia de recapagem e expondo vulnerabilidades operacionais do frotista brasileiro. Para que qualquer pneu entregue todo o seu potencial e alcance condições seguras para um segundo ciclo de vida, ele depende de […]

por Mateus Santos em 28/09/2026 - Atualizado em 25/09/2026

A entrada massiva de pneus importados de baixo custo no mercado nacional desencadeou um descompasso estrutural no setor de transporte, afetando diretamente a cadeia de recapagem e expondo vulnerabilidades operacionais do frotista brasileiro.

Para que qualquer pneu entregue todo o seu potencial e alcance condições seguras para um segundo ciclo de vida, ele depende de um rigor técnico que dificilmente sobrevive à realidade do dia a dia. No último curso que ministrei, reuni transportadoras que, somadas, totalizavam mais de 20 mil pneus rodando. A dificuldade em padronizar rotinas severas de calibragem, alinhamento e manutenções preventivas e preditivas foi uma dor unânime relatada por todos os gestores presentes. Essa é a realidade da grande maioria das transportadoras do Brasil. Sem essa disciplina diária, o pneu sofre desgastes irregulares e fadiga acelerada.

A esse cenário soma-se a severidade de uma malha rodoviária que piora a cada dia. O asfalto degradado, os buracos frequentes e as emendas severas impõem impactos mecânicos violentos às carcaças. O resultado dessa combinação entre manutenção desafiadora nas garagens e rodovias em frangalhos é direto: ao chegarem à inspeção técnica da reformadora, os danos estruturais acumulados acabam inviabilizando o reaproveitamento, descartando o pneu após uma única vida útil rodada. E pior, reformadoras que não possuem exames de imagem como sherografia, constantemente reformam pneus com danos ocultos que não deveriam voltar para a operação.

Em meio a isso, desenha-se uma miopia arriscada na indústria: os fabricantes de bandas e compostos de borracha parecem assistir de camarote aos pneus importados devorarem o mercado dos reformadores. Esquecem-se, porém, da regra básica da cadeia produtiva: sem reformador, não existe fabricante de borracha. Ao não se posicionarem estrategicamente ao lado de quem reforma, essas fabricantes ignoram que a retração do setor de recapagem sela o colapso do seu próprio canal de distribuição.

– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –

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