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Preponderância e avanço: por que essa relação é tão importante nos pneus agrícolas?

Quando falamos em pneus agrícolas, é comum concentrarmos a atenção em capacidade de carga, pressão de inflação, índice de velocidade, desenho da banda de rodagem, patinagem e tração. Mas, nos tratores com tração dianteira auxiliar, existe outro fator fundamental: a relação entre os pneus dianteiros, os pneus traseiros e a transmissão do trator. É nesse […]

por Juliana Leitão em 06/10/2026 - Atualizado em 05/10/2026

Quando falamos em pneus agrícolas, é comum concentrarmos a atenção em capacidade de carga, pressão de inflação, índice de velocidade, desenho da banda de rodagem, patinagem e tração. Mas, nos tratores com tração dianteira auxiliar, existe outro fator fundamental: a relação entre os pneus dianteiros, os pneus traseiros e a transmissão do trator.

É nesse contexto que surgem dois termos que frequentemente geram dúvidas: preponderância e avanço.

A própria terminologia pode variar entre fabricantes e materiais técnicos. A preponderância é frequentemente chamada de avanço teórico, pois é determinada por cálculo antes da montagem do conjunto. Já o avanço pode ser verificado posteriormente, com os pneus montados no trator, avaliando o comportamento real do conjunto.

De maneira didática, podemos pensar assim:

Preponderância ou avanço teórico: calculamos antes.

Avanço efetivo: verificamos na prática.

Essa relação se torna especialmente importante quando se pretende alterar as medidas originais dos pneus de um trator.

POR QUE OS PNEUS DIANTEIROS E TRASEIROS PRECISAM TRABALHAR EM CONJUNTO?

Em tratores com tração dianteira auxiliar, conhecidos internacionalmente pela sigla MFWD (Mechanical Front-Wheel Drive), existe uma relação mecânica entre os eixos dianteiro e traseiro.

Por isso, quando a tração está acoplada, não podemos analisar os pneus dianteiros e traseiros de forma independente.

A distância percorrida pelos pneus a cada revolução precisa ser compatível com a relação mecânica estabelecida pela transmissão.

Isso significa que, ao substituir uma medida de pneu, não basta verificar capacidade de carga, índice de velocidade, aro ou espaço físico disponível na máquina.

Também precisamos responder a uma pergunta fundamental:

A NOVA COMBINAÇÃO ENTRE PNEUS DIANTEIROS E TRASEIROS É COMPATÍVEL COM A TRANSMISSÃO DESSE TRATOR?

É justamente para responder a essa pergunta que utilizamos a preponderância.

PREPONDERÂNCIA: A ANÁLISE ANTES DA MONTAGEM

A preponderância, também chamada de avanço teórico, permite avaliar matematicamente a compatibilidade entre determinada combinação de pneus dianteiros e traseiros e a relação mecânica entre os eixos do trator.

Para realizar essa análise são necessárias três informações:

  • circunferência de rolamento do pneu dianteiro;
  • circunferência de rolamento do pneu traseiro;
  • relação mecânica entre os eixos dianteiro e traseiro do trator.

A relação pode ser expressa por:

Preponderância (%) = [(RC dianteira × RT) ÷ RC traseira – 1] × 100

Onde:

RC dianteira = circunferência de rolamento do pneu dianteiro
RC traseira = circunferência de rolamento do pneu traseiro
RT = relação mecânica entre os eixos

O resultado deve ser comparado com os parâmetros estabelecidos pelo fabricante do trator para aquela máquina e transmissão.

A IMPORTÂNCIA DA CIRCUNFERÊNCIA DE ROLAMENTO

Para quem trabalha com pneus, este é um ponto fundamental.

A circunferência de rolamento (Rolling Circumference: RC) representa a distância percorrida pelo pneu durante uma revolução e normalmente está disponível no catálogo técnico do fabricante.

Ela não deve ser confundida simplesmente com o diâmetro externo nominal do pneu.

Por isso, duas opções de pneus aparentemente equivalentes em medida não devem ser consideradas automaticamente iguais para uma alteração de montagem. É necessário consultar os dados técnicos dos produtos envolvidos.

Essa é uma das razões pelas quais a alteração de medidas em tratores com tração dianteira auxiliar exige uma análise técnica mais completa.

AVANÇO: A CONFIRMAÇÃO NA PRÁTICA

Se a preponderância é determinada teoricamente antes da montagem, o comportamento do conjunto também pode ser verificado posteriormente em campo.

E aqui existe uma diferença importante: o pneu não é uma engrenagem rígida.

O pneu agrícola é um componente flexível, cujo comportamento pode ser influenciado pela pressão de inflação, carga, desgaste e deformação da carcaça. (JANULEVIČIUS; DAMANAUSKAS; PUPINIS, 2018)

Uma das metodologias utilizadas para verificar o avanço consiste em comparar o número de revoluções das rodas dianteiras durante um percurso realizado com a tração dianteira desacoplada e, posteriormente, com ela acoplada.

De forma simplificada, podemos representar essa verificação por:

Avanço (%) = [(N1 – N) ÷ N] × 100

Onde:

N = número de revoluções dianteiras com a tração desacoplada
N1 = número de revoluções dianteiras com a tração acoplada

O objetivo não é substituir o cálculo teórico, mas verificar como o conjunto está efetivamente se comportando depois da montagem.

É por isso que preponderância e avanço devem ser entendidos como análises complementares.

POR QUE TEORIA E PRÁTICA PODEM SER DIFERENTES?

No cálculo da preponderância usamos dados técnicos do pneu e do trator. Mas, no campo, o pneu trabalha sob carga e se deforma. Pressão, carga e condições de trabalho podem alterar seu comportamento e, consequentemente, o avanço.

Se o avanço estiver fora do recomendado, os pneus dianteiros e traseiros podem não trabalhar em sintonia, afetando o desempenho do conjunto.

Por isso, não existe um único percentual ideal para todos os tratores. O correto é sempre seguir os limites recomendados pelo fabricante da máquina.

O QUE TUDO ISSO MUDA NA ESCOLHA DE UM PNEU AGRÍCOLA?

Muda a maneira como enxergamos uma alteração de medida.

Um pneu pode possuir capacidade de carga adequada, índice de velocidade correto, ser compatível com o aro e caber fisicamente na máquina e, ainda assim, não formar uma combinação adequada com o pneu do outro eixo para aquela transmissão.

É por isso que, quando um cliente pergunta se pode substituir uma medida por outra, a resposta não deveria considerar apenas as dimensões dos pneus.

Em tratores com tração dianteira auxiliar, também precisamos conhecer a medida utilizada no outro eixo, consultar as circunferências de rolamento e conhecer a relação mecânica da máquina.

Só então podemos avaliar tecnicamente a nova combinação.

O pneu também faz parte do sistema

Talvez essa seja a principal mensagem deste tema.

No trator, o pneu não trabalha sozinho.

Quando a tração dianteira está acoplada, pneus, eixos e transmissão passam a fazer parte de um mesmo sistema mecânico.

Por isso, antes de alterar as medidas, calculamos a preponderância. Depois da montagem, quando necessário, podemos verificar o avanço em campo.

Para quem trabalha com pneus agrícolas, compreender essa relação significa ir além de encontrar uma medida equivalente. Significa entender como aquele pneu irá interagir com a máquina na qual será instalado.

E essa é uma das diferenças entre simplesmente substituir um pneu e realizar uma aplicação tecnicamente correta.

Imagem: Galeria Juliana Leitão.

– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –

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