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UE propõe tarifas de até 57% sobre pneus chineses

A Comissão Europeia apresentou uma proposta de direitos compensatórios sobre pneus chineses de passeio e comerciais leves que poderá elevar a carga tarifária combinada para até 57,09%, dependendo do fabricante. As novas alíquotas fazem parte da investigação antissubsídios AS743 e foram comunicadas às partes interessadas em 19 de outubro de 2026, antes da decisão definitiva […]

por Mateus Taday em 22/10/2026 - Atualizado em 22/10/2026

A Comissão Europeia apresentou uma proposta de direitos compensatórios sobre pneus chineses de passeio e comerciais leves que poderá elevar a carga tarifária combinada para até 57,09%, dependendo do fabricante. As novas alíquotas fazem parte da investigação antissubsídios AS743 e foram comunicadas às partes interessadas em 19 de outubro de 2026, antes da decisão definitiva prevista para dezembro.

A investigação contempla pneus novos de passeio e comerciais leves, incluindo determinadas aplicações em ônibus e caminhões com índice de carga de até 121. Segundo a Associação Chinesa da Indústria da Borracha (CRIA), os direitos antissubsídios propostos variam de 24,63% a 29,63%, enquanto a carga tarifária total, considerando os direitos antidumping já estabelecidos, poderá variar de 27,50% a 57,09%.

Fabricantes chineses enfrentam novas tarifas

Entre as alíquotas antissubsídios propostas, a Linglong recebeu 24,63%, enquanto a Shandong Yongsheng Rubber Group ficou sujeita a 29,63%. Para fabricantes que cooperaram com a investigação, mas não foram selecionados para a amostragem, a alíquota proposta é de 27,50%. Os demais produtores chineses estão sujeitos à taxa de 29,63%.

A carga tarifária combinada, entretanto, não corresponde necessariamente à simples soma dos direitos antidumping e antissubsídios. A Comissão Europeia ajustou as duas componentes para evitar a dupla compensação de determinadas práticas comerciais. Dessa forma, a carga total proposta chega a 57,09% para o grupo Linglong, enquanto fabricantes que cooperaram com ambas as investigações poderão enfrentar uma alíquota combinada de 28,76%.

A nova medida se somaria aos direitos antidumping definitivos estabelecidos em julho de 2026, que variam de 4,3% a 45,3%. A investigação antissubsídios examina mecanismos de apoio estatal à indústria chinesa, incluindo financiamentos favorecidos, benefícios fiscais, subvenções diretas e fornecimento de terrenos e matérias-primas em condições consideradas inferiores às de mercado.

Medidas podem alterar fluxos comerciais

O mercado europeu representa um destino importante para a indústria chinesa de pneus. Segundo dados apresentados pela Comissão Europeia, as importações de pneus chineses aumentaram de 57,3 milhões de unidades em 2021 para aproximadamente 93 milhões em 2024. No mesmo período, a participação desses produtos no mercado europeu passou de 18% para 28%, enquanto a participação dos fabricantes da União Europeia recuou de 60% para 53%.

A aplicação de novas tarifas poderá intensificar a reorganização dos fluxos internacionais de pneus, incentivando fabricantes chineses a ampliar sua presença em mercados alternativos ou aumentar a produção em unidades industriais localizadas fora da China. O Brasil e outros países latino-americanos estão entre os mercados que poderão receber maior atenção comercial, embora ainda não existam dados que comprovem um redirecionamento provocado especificamente pelas novas medidas propostas.

A investigação permanece aberta para manifestações das partes interessadas, e a decisão definitiva está prevista para 5 de dezembro de 2026. Até lá, continuam aplicáveis os direitos antidumping estabelecidos em julho. A divulgação preliminar também indica que a Comissão não pretende realizar cobrança retroativa dos novos direitos compensatórios.

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