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Setor de pneus na rota das sanções: riscos e desafios para o Brasil

Por Carlos Barcha* A indústria brasileira de pneus enfrenta agora uma tempestade perfeita: tarifas elevadas para importação de insumos e matérias primas, e risco crescente de sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia sobre os produtos finais. Em outubro de 2024, o Brasil aumentou o imposto de importação de pneus de passeio […]

por Lara Roibone em 17/07/2025 - Atualizado em 21/07/2025

Por Carlos Barcha*

A indústria brasileira de pneus enfrenta agora uma tempestade perfeita: tarifas elevadas para importação de insumos e matérias primas, e risco crescente de sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia sobre os produtos finais.

Em outubro de 2024, o Brasil aumentou o imposto de importação de pneus de passeio de 16% para 25%, buscando proteger a produção nacional, sem sucesso. Agora, o cenário pode ser deteriorado com represálias gravíssimas, já que os Estados Unidos anunciaram planos de aplicar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e a abertura de uma investigação sobre eventuais práticas e comércio desleais, colocando os pneus no disparo cruzado das tensões comerciais.

Enquanto isso, os dados do primeiro quadrimestre de 2024 revelaram um aumento de 40% nas importações de pneus para o Brasil, pulando de 13,9 milhões de unidades para 19,5 milhões, ao mesmo tempo em que as vendas totais da indústria caíram quase 12%, segundo relatório da Anip. Esse resultado indica que, mesmo com tarifas protecionistas, o país está cada vez mais dependente do produto importado, evidenciando fragilidades no parque industrial nacional.

O relatório Volza mostra que, entre novembro de 2023 e outubro de 2024, os Estados Unidos respondeu por 16% do volume de pneus exportados no período. Porém, esse volume representa uma fração minúscula diante dos gigantes globais China e Índia, e está exposto às ameaças de tarifas de 50% vindas de Washington. Caso tais barreiras entrem em vigor, fabricantes brasileiros deverão repensar exportações, que já são modestas em faturamento, mas muitas vezes uma espécie de “tábua da salvação”.

Do lado das montadoras e consumidores finais, o cenário tende a ser ainda mais danoso. As fabricantes de automóveis precisarão absorver o aumento de custos ou repassá-los ao consumidor, elevando o preço já extorsivo dos veículos novos. Para o motorista, isso se traduzirá em preços ainda mais inflados, refletindo o efeito cascata das tarifas, tanto sobre os pneus importados e exportados, cujo resultado é uma operação doméstica mais cara, menos competitiva e com menores ganhos de escala.

No médio prazo, a indústria de pneu se verá entre a cruz e a espada: enfrentar confrontos diplomáticos com os principais blocos comerciais forçará reduções nas exportações, mas manter tarifas “recíprocas” altas sem modernizar a base produtiva não resolverá a dependência dos insumos importados.

A situação demanda urgência em investimento na competitividade, políticas tributárias estáveis, segurança jurídica e negociações diplomáticas para evitar que os fabricantes, montadoras e consumidores brasileiros paguem a conta final. Exatamente o oposto de tudo que o Brasil tem feito nos últimos anos.


Carlos Barcha atua como Tyre SME na Jaguar Land Rover no Reino Unido. Este artigo, porém, foi produzido de forma independente, fora do escopo de suas atribuições profissionais. As opiniões e informações aqui expressas são estritamente pessoais e não representam, em nenhuma hipótese, posições, diretrizes técnicas ou políticas da Jaguar Land Rover ou de qualquer outra organização à qual o autor esteja vinculado.

Foto: Pixabay

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