Como o custo influencia a escolha de fornecedores de pneus pelas montadora
A decisão de uma montadora ao escolher o fornecedor de pneus que equipará seus veículos passa por inúmeros critérios técnicos, como desempenho dinâmico, eficiência energética, durabilidade e conformidade regulatória. Mas quando se trata de veículos de entrada ou projetos voltados a custo-benefício, é impossível ignorar o peso do fator preço. Ainda que ele não seja […]
por Carlos Barcha em 12/08/2025 - Atualizado em 12/08/2025
A decisão de uma montadora ao escolher o fornecedor de pneus que equipará seus veículos passa por inúmeros critérios técnicos, como desempenho dinâmico, eficiência energética, durabilidade e conformidade regulatória.
Mas quando se trata de veículos de entrada ou projetos voltados a custo-benefício, é impossível ignorar o peso do fator preço. Ainda que ele não seja isoladamente determinante, sua influência se torna muito mais sensível em segmentos onde o preço final ao consumidor é o principal diferencial competitivo.
Em projetos com menor nível de tecnologia embarcada, como modelos compactos, comerciais leves e versões básicas e de média gama de SUVs, há uma pressão natural sobre a Engneharia do Produto e o setor de Compras para otimizar cada componente. Pneus, que representam uma parte considerável do custo variável de produção, entram automaticamente nesse radar.
Nesses casos, o fornecedor que conseguir entregar um produto conforme os requisitos técnicos mínimos do produto específico, dentro do custo-alvo estipulado, tende a sair na frente no processo de nomeação. Isso explica, em parte, a entrada mais frequente de marcas asiáticas em projetos com foco em custo. Ainda assim, o padrão de validação continua rigoroso. A diferença está no perfil de exigência.
Em um projeto com alta tecnologia embarcada, por exemplo, o pneu precisa cumprir metas mais restritivas de ruído externo, resistência ao rolamento, aderência longitudinal e lateral em diferentes temperaturas, além de performance em pisos de baixa aderência. Já em projetos de entrada ou menos exigentes, o foco recai sobre robustez estrutural, resistência a impactos em vias degradadas, custo de produção e estabilidade em uso urbano.
Ambos são testados em laboratório e em campo, mas o alvo técnico varia de acordo com o perfil do veículo.
Outro ponto importante é que o preço só se torna um diferencial real quando sustentado por escala, estabilidade logística e capacidade de fornecimento local ou regional. Marcas com plantas industriais próximas às montadoras, acordos comerciais vantajosos ou flexibilidade na cadeia de suprimentos tendem a ter vantagem em projetos sensíveis a custo.
O avanço tecnológico dessas marcas, especialmente asiáticas, também tem reduzido significativamente o “gap” histórico frente a fornecedores tradicionais, tornando o preço competitivo viável sem abrir mão dos padrões mínimos exigidos.
Portanto, sim, o preço pode ser mais decisivo, especialmente quando o projeto busca alcançar metas agressivas de custo por unidade produzida. Mas essa decisão acontece dentro de um contexto técnico bem definido.
O pneu mais barato só entra no veículo se entregar o que a Engenharia da montadora exigir. E isso vale tanto para projetos simples quanto para os mais sofisticados, cada um dentro do seu escopo e proposta de valor ao cliente final.

* Carlos Barcha atua como Tyre SME na Jaguar Land Rover no Reino Unido. Este artigo, porém, foi produzido de forma independente, fora do escopo de suas atribuições profissionais. As opiniões e informações aqui expressas são estritamente pessoais e não representam, em nenhuma hipótese, posições, diretrizes técnicas ou políticas da Jaguar Land Rover ou de qualquer outra organização à qual o autor esteja vinculado.
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