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Colômbia encerra 2025 com integração institucional e desafios estruturais para a recapagem

O setor colombiano de pneus fechou 2025 sob forte pressão macroeconômica e com movimentos relevantes de reorganização institucional. O Boletim Estatístico publicado em janeiro de 2026 pela Asociación Colombiana de Reencuchadoras de Llantas y Afines (ANRE), entidade que representa a indústria de recapagem no país, detalha um mercado de reposição de pneus de ônibus e […]

por Mateus Taday em 23/02/2026 - Atualizado em 23/02/2026

O setor colombiano de pneus fechou 2025 sob forte pressão macroeconômica e com movimentos relevantes de reorganização institucional. O Boletim Estatístico publicado em janeiro de 2026 pela Asociación Colombiana de Reencuchadoras de Llantas y Afines (ANRE), entidade que representa a indústria de recapagem no país, detalha um mercado de reposição de pneus de ônibus e caminhões estimado em 2.123.160 unidades, em um ambiente de inflação de 5,1%, juros próximos de 9,25% e aumento do salário mínimo superior a 23%. O cenário impactou diretamente os custos operacionais do transporte e, por consequência, a competitividade da recapagem.

Integração entre importadores e recapadores ganha força

O principal marco institucional de 2025 foi a criação e consolidação do Capítulo de Pneus dentro da ANRE, reunindo 12 grandes importadores responsáveis por aproximadamente 51% das importações de pneus de ônibus e caminhões no país. Segundo o boletim, empresas associadas à entidade representam cerca de 49% das importações totais, reforçando o peso organizado do setor no comércio internacional de pneus.

A iniciativa amplia a visão integrada da cadeia, posicionando pneus novos e recapados como elementos complementares dentro de um modelo de economia circular. No entanto, o relatório aponta que a produção nacional somada à capacidade instalada das plantas de recapagem cobre apenas uma fração da demanda total, evidenciando dependência estrutural das importações.

Qualidade técnica e competição com pneus de baixo custo

Em 2025, 294 marcas passaram por processos de recapagem na Colômbia. Contudo, apenas 45 concentraram 96% do volume total, demonstrando forte concentração em marcas de maior giro. O boletim destaca um desafio relevante: parte dos pneus importados de baixo custo apresenta desempenho técnico inferior em termos de recapabilidade, comprometendo segurança, durabilidade e eficiência operacional.

A análise comparativa de preços, já com IVA incluído, confirma que a recapagem segue como alternativa economicamente competitiva. Ainda assim, pneus importados de baixo preço representam concorrência direta, especialmente quando não há critérios técnicos mínimos que garantam potencial adequado de reaproveitamento.

O documento conclui que o futuro da recapagem na Colômbia — e, por extensão, na América Latina — dependerá do fortalecimento da colaboração entre importadores e recapadores, da elevação dos padrões técnicos e do avanço de marcos regulatórios que reconheçam a recapagem como indústria estratégica para sustentabilidade no transporte e eficiência no uso de recursos.

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