Como ler as etiquetas de pneus?
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: As etiquetas afixadas em pneus vendidos em concessionárias e supermercados possuem três parâmetros de desempenho que consideram a eficiência energética (consumo de combustível), segurança (tração no molhado) e impacto ambiental (ruído de passagem). Vamos entender melhor cada uma. Inicialmente, é importante dizer que as etiquetas […]
por José Carlos Quadrelli em 22/04/2026 - Atualizado em 22/04/2026
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.
José Carlos Quadrelli: As etiquetas afixadas em pneus vendidos em concessionárias e supermercados possuem três parâmetros de desempenho que consideram a eficiência energética (consumo de combustível), segurança (tração no molhado) e impacto ambiental (ruído de passagem). Vamos entender melhor cada uma.
Inicialmente, é importante dizer que as etiquetas foram adotadas pelo Inmetro para que o consumidor pudesse fazer uma compra mais informada dada a grande variedade de marcas e modelos existentes no mercado, além de incentivar os fabricantes de pneus a desenvolver pneus mais eficientes em termos de segurança, conforto e, principalmente, consumo (tanto que são chamadas de Etiquetas Nacionais de Conservação de Energia). Com base nisso, optou-se por seguir o modelo de etiqueta usada na Europa desde 2012.
A partir de 2015, o Inmetro introduziu a obrigatoriedade das etiquetas em pneus, inicialmente para novas famílias de pneus e posteriormente para todos os pneus radiais novos produzidos e importados no mercado brasileiro nas categorias passeio, caminhonete e carga (caminhão e ônibus). Os distribuidores e revendedores tiveram mais 18 meses, até 29 de abril de 2018, para esvaziar seus estoques de pneus certificados anteriormente à vigência do novo regulamento. Vamos entender como interpretar cada parâmetro.
1. Consumo de Combustível: classifica-se cada pneu com base em sua resistência ao rolamento cuja redução diminuirá a energia despendida para se mover o veículo e, por consequência, o consumo de combustível e a emissão de gases poluentes, mais especificamente o gás carbônico. Embora a etiqueta possua 7 classes desse parâmetro, somente 5 são usadas. No caso de pneus passeio e caminhonete, vão de A a C e E e F (pulando a D), sendo A a mais eficiente (menor consumo) e F a menos eficiente (maior consumo). Cada classe corresponde a uma faixa de valores do coeficiente de resistência ao rolamento (RRC), medido num dinamômetro em laboratório.

2. Tração (Aderência) no Molhado: este parâmetro representa a segurança já que está relacionado à distância de frenagem do veículo em piso molhado. Novamente, embora a etiqueta possua 7 classes desse parâmetro, no caso de pneus passeio e caminhonete somente 4 são usadas, de A a E (pulando a D), sendo A a mais eficiente (maior tração) e E a menos eficiente (menor tração). Aqui se mede o coeficiente de aderência (G) montando pneus de teste num veículo, acelerado até 85 km/h numa pista com lâmina d’água de 1,0 mm e freando, medindo-se a distância percorrida entre as velocidades de 80 e 20 km/h e comparando-se com um pneu de referência.

3. Ruído de Passagem ou Potência Sonora: este parâmetro está relacionado ao conforto auditivo e ao impacto no meio ambiente (poluição sonora) já que se refere ao ruído gerado pelos pneus e percebido externamente ao veículo. Neste caso existem 3 classes representadas por um desenho de 3 ondas que representam as ondas sonoras. Uma onda cheia indica o menor grau de ruído e 3 ondas cheias o maior grau. os valores da emissão sonora (LV) são medidos em decibéis (dB) (da escala A ou dBA). A medição é feita passando um veículo com o motor desligado e com os pneus de teste num trecho da pista de teste onde existem 2 microfones, um de cada lado do veículo, que captam o ruído proveniente dos pneus.

É importante esclarecer que, diferentemente do sistema europeu, os pneus devem atingir valores definidos (os valores limites da pior classificação de cada parâmetro) como critérios de aceitação nas três categorias para serem certificados pelo Inmetro. A ideia é impedir a entrada no mercado de pneus ineficientes e inseguros.
Além disso, é bom lembrar que os pneus possuem uma série de outros parâmetros não contemplados nas etiquetas, mas que deveriam ser considerados na decisão de compra pelo usuário, como a resistência ao desgaste, capacidade de carga e velocidade máxima, resposta dinâmica, aspereza etc. Como alguns não são facilmente encontrados na hora da compra (exceto se disponíveis em sites de testes de pneus, por exemplo), as etiquetas procuram fornecer pelo menos alguma informação sobre alguns itens importantes para auxiliar o comprador.
Imagem: ANIP.

* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –