Continental demite em Camaçari em meio à queda do mercado
A Continental Pneus demitiu mais de 100 trabalhadores da fábrica de Camaçari (BA), segundo informações atribuídas ao Sindborracha e publicadas pelo Destaque1. Os desligamentos teriam ocorrido nos dias 3 e 4 de março, em meio a um processo de reestruturação e a um cenário de queda nas vendas, estoques elevados e maior pressão de pneus […]
por Mateus Taday em 21/05/2026 - Atualizado em 21/05/2026
A Continental Pneus demitiu mais de 100 trabalhadores da fábrica de Camaçari (BA), segundo informações atribuídas ao Sindborracha e publicadas pelo Destaque1. Os desligamentos teriam ocorrido nos dias 3 e 4 de março, em meio a um processo de reestruturação e a um cenário de queda nas vendas, estoques elevados e maior pressão de pneus importados no mercado brasileiro.
De acordo com o sindicato, a empresa teria indicado inicialmente um corte de cerca de 150 pessoas, mas o número final ficou próximo de 110 desligamentos. A entidade também afirmou que foram negociadas condições para os trabalhadores demitidos, incluindo manutenção temporária do plano de saúde, pagamento proporcional de PLR e ticket alimentação por período determinado.
A movimentação em Camaçari ocorre poucos meses depois de o 54PSI revelar que a Continental preparava cortes também na unidade administrativa de Jundiaí (SP). Na ocasião, fontes ouvidas pelo site apontaram a possibilidade de desligamento de 5% a 10% da força de trabalho local, em uma medida relacionada ao desempenho abaixo do planejado nas vendas de pneus de carga e de passeio.
Os dois movimentos indicam que o ajuste não estaria limitado à operação fabril na Bahia, mas também alcançaria áreas administrativas e comerciais da companhia no Brasil. Embora a Continental não tenha divulgado publicamente um plano consolidado de cortes no país, os relatos sobre Camaçari e Jundiaí apontam para uma reação interna a um ambiente de demanda mais fraca e maior disputa por volume.
O pano de fundo é a piora dos números da indústria brasileira de pneus. Segundo a ANIP, as vendas de pneus produzidos no país somaram 5,5 milhões de unidades no primeiro bimestre de 2026, queda de 10,6% sobre igual período do ano anterior. A retração atingiu tanto o mercado de reposição, com baixa de 10,1%, quanto o fornecimento às montadoras, que caiu 11,5%.
A pressão foi ainda mais forte em segmentos relevantes para fabricantes instalados no país. Ainda segundo a ANIP, as vendas de pneus de carga recuaram 14,9% no primeiro bimestre, enquanto as de pneus de passeio caíram 9,8%. A entidade atribui parte da deterioração à concorrência de importados, especialmente de origem asiática, argumento que também aparece nas justificativas relatadas pelo sindicato em Camaçari.
A combinação entre queda de vendas, estoques elevados e maior competição de importados ajuda a explicar por que a redução de quadro aparece agora em diferentes frentes da Continental no Brasil. O caso de Camaçari mostra o impacto na base industrial, enquanto Jundiaí indica que a desaceleração também pressiona estruturas corporativas ligadas à gestão, vendas e suporte ao negócio de pneus no país.
Até o fechamento desta nota, não havia um posicionamento público detalhado da Continental sobre o conjunto dos cortes em Camaçari e Jundiaí. O espaço segue aberto para manifestação da empresa.