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Análise completa: Goodyear amplia perdas no 3º trimestre

A Goodyear encerrou o terceiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 238 milhões, receita de US$ 4,54 bilhões e forte deterioração da rentabilidade nas Américas. Embora a perda contábil tenha diminuído em relação ao mesmo período de 2025, os indicadores operacionais mostram que a fabricante ainda enfrenta dificuldades para recuperar suas margens. Os […]

por Mateus Taday em 05/11/2026 - Atualizado em 05/11/2026

A Goodyear registrou prejuízo líquido de US$ 238 milhões no terceiro trimestre de 2026, com receita de US$ 4,54 bilhões, queda de 2,3%, e volume comercializado de 38,6 milhões de pneus, retração de 3,3%. Apesar da redução do prejuízo contábil em relação ao mesmo período de 2025, a empresa passou de lucro ajustado de US$ 82 milhões para perda de US$ 31 milhões. O lucro operacional dos segmentos diminuiu 39,4%, pressionado por menores volumes, inflação e custos industriais.

As Américas concentraram a deterioração, com queda de 53,4% no lucro operacional e redução da margem de 7,5% para 3,6%. Na Europa, Oriente Médio e África, a fabricante enfrentou forte retração no mercado de reposição, enquanto a Ásia-Pacífico ampliou sua margem operacional para 12,9%. Os resultados mostram diferenças relevantes entre as regiões e evidenciam a dificuldade da empresa em compensar os efeitos da menor utilização de sua capacidade produtiva.

O programa Goodyear Forward continua proporcionando economias, mas seus benefícios ainda não foram suficientes para restabelecer a rentabilidade. Nos primeiros nove meses de 2026, a empresa consumiu US$ 764 milhões em atividades operacionais e encerrou setembro com aproximadamente US$ 7,37 bilhões em empréstimos e obrigações de arrendamento financeiro. A recuperação dependerá da redução dos custos estruturais, da melhora das margens nas Américas e da capacidade de gerar caixa de forma sustentável.


A Goodyear encerrou o terceiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 238 milhões, receita de US$ 4,54 bilhões e forte deterioração da rentabilidade nas Américas. Embora a perda contábil tenha diminuído em relação ao mesmo período de 2025, os indicadores operacionais mostram que a fabricante ainda enfrenta dificuldades para recuperar suas margens. Os resultados, divulgados em 4 de novembro, também evidenciam que os ganhos obtidos com o programa de reestruturação Goodyear Forward continuam insuficientes para neutralizar as pressões sobre a produção e os custos.

A receita consolidada recuou 2,3% na comparação anual, enquanto o volume comercializado caiu 3,3%, para 38,6 milhões de pneus. Parte da redução do faturamento está relacionada à venda da divisão de produtos químicos e da marca Dunlop. Desconsiderando essas operações, a receita orgânica cresceu 1,6%, beneficiada por preços e composição de vendas mais favoráveis. A evolução indica que a companhia conseguiu melhorar a receita por meio de seu portfólio, mas não compensou integralmente a redução dos volumes e os efeitos dos custos industriais.

Prejuízo menor não significa recuperação

O prejuízo líquido de US$ 238 milhões representa uma melhora expressiva diante da perda de US$ 2,20 bilhões registrada no terceiro trimestre de 2025. Entretanto, a comparação exige cautela. O resultado anterior foi fortemente afetado por despesas tributárias extraordinárias e uma baixa contábil de US$ 674 milhões relacionada ao valor de negócios adquiridos. Em bases ajustadas, a evolução foi negativa: a Goodyear passou de lucro de US$ 82 milhões para prejuízo de US$ 31 milhões. O resultado ajustado por ação passou de ganho de US$ 0,28 para perda de US$ 0,11.

O lucro operacional dos segmentos caiu de US$ 287 milhões para US$ 174 milhões, retração de 39,4%, enquanto a margem operacional consolidada dos segmentos passou de 6,2% para 3,8%. Desconsiderando as operações vendidas, a redução desse lucro foi de US$ 57 milhões. Segundo a companhia, o menor volume gerou impacto negativo de US$ 77 milhões, a inflação acrescentou US$ 69 milhões em custos e tarifas comerciais e outras despesas representaram US$ 48 milhões adicionais. Esses efeitos foram parcialmente compensados por US$ 90 milhões em benefícios do Goodyear Forward e US$ 76 milhões decorrentes da relação favorável entre preços, composição de vendas e matérias-primas. Em comparação com o segundo trimestre de 2026, quando o lucro operacional dos segmentos foi de US$ 36 milhões, houve recuperação expressiva, mas ainda insuficiente para restabelecer a rentabilidade observada um ano antes.

Américas concentram a deterioração operacional

As Américas foram o principal fator de pressão sobre o resultado. A receita regional caiu 2,3%, para US$ 2,68 bilhões, enquanto o volume comercializado permaneceu estável em aproximadamente 19,6 milhões de pneus. O lucro operacional recuou de US$ 206 milhões para US$ 96 milhões, queda de 53,4%, e a margem operacional passou de 7,5% para 3,6%. Mesmo excluindo o impacto da venda da divisão de produtos químicos, o lucro operacional regional diminuiu US$ 76 milhões. A região respondeu por quase 59% da receita consolidada, o que amplia o efeito de seu desempenho sobre os resultados globais.

As vendas de pneus para reposição nas Américas diminuíram 2,2%, enquanto as destinadas às montadoras cresceram 8,7%. A companhia atribuiu a queda de rentabilidade principalmente à menor utilização das fábricas, à inflação e a outros custos operacionais. A combinação é desfavorável para uma indústria intensiva em capital, na qual o menor aproveitamento da capacidade instalada dificulta a diluição dos custos fixos. Os números também mostram que o crescimento no fornecimento às montadoras não foi suficiente para compensar a pressão sobre as margens. Como a Goodyear não detalhou separadamente o desempenho da América do Sul nessa divulgação, não é possível determinar a contribuição específica do Brasil ou de outros mercados da região.

Europa perde volume, enquanto Ásia amplia margens

Na Europa, Oriente Médio e África (EMEA), a receita caiu 3,7%, para US$ 1,36 bilhão, e o volume comercializado diminuiu 6,7%, para 11,1 milhões de pneus. As vendas de reposição recuaram 11,3%, refletindo a fraqueza do mercado de consumo e a redução planejada de referências de produtos. O lucro operacional regional ficou em US$ 12 milhões, ante US$ 30 milhões um ano antes, com margem de apenas 0,9%. Excluído o efeito da venda da marca Dunlop, entretanto, o resultado operacional melhorou US$ 5 milhões, apoiado por preços, composição de vendas e economias operacionais. O contraste indica que a região continua enfrentando dificuldades comerciais, embora a rentabilidade das operações remanescentes apresente sinais de recuperação.

A Ásia-Pacífico registrou desempenho diferente. A receita cresceu 1,8%, para US$ 510 milhões, apesar da redução de 6% no volume comercializado, para 7,9 milhões de pneus. O lucro operacional aumentou de US$ 51 milhões para US$ 66 milhões, elevando a margem de 10,2% para 12,9%. O resultado foi favorecido pela relação entre preços e matérias-primas e pelos ganhos do Goodyear Forward, que compensaram a redução dos volumes. A comparação entre as regiões demonstra que o principal problema da fabricante não está exclusivamente na demanda, mas também na capacidade de preservar margens em diferentes estruturas de custos e condições industriais.

Reestruturação avança, mas caixa continua pressionado

A Goodyear mantém sua estratégia de direcionar o portfólio para pneus de maior valor agregado. Os produtos de passeio com aro de 18 polegadas ou superior passaram a representar 44% do volume de vendas considerado nesse indicador, ante 39% no terceiro trimestre de 2025. Embora a mudança possa favorecer preços médios e rentabilidade, seus benefícios ainda não compensaram as pressões industriais nas Américas. A companhia também anunciou a criação de uma estrutura dedicada à transformação operacional, com o objetivo de ampliar o alcance das iniciativas de eficiência e melhorar a geração de caixa.

O processo de reorganização inclui a redução da capacidade produtiva. Em julho, a Goodyear anunciou o fechamento permanente da fábrica de Fayetteville, na Carolina do Norte, medida que envolve aproximadamente 1.750 empregos e deverá ser substancialmente concluída até o fim de 2027. A companhia estimou encargos totais de US$ 535 milhões a US$ 565 milhões para a operação, mas projeta benefícios anuais de aproximadamente US$ 270 milhões a partir de 2028. No terceiro trimestre, as despesas de racionalização somaram US$ 148 milhões, ante US$ 21 milhões um ano antes. O caso ilustra o custo de curto prazo associado à tentativa de reduzir despesas industriais estruturais, além das consequências para o emprego e a capacidade de produção.

A situação do caixa constitui outro ponto de atenção. Nos primeiros nove meses de 2026, a Goodyear consumiu US$ 764 milhões em atividades operacionais, ante US$ 716 milhões no mesmo período de 2025. Os investimentos em ativos produtivos somaram US$ 481 milhões, resultando em fluxo de caixa livre negativo de aproximadamente US$ 1,25 bilhão, calculado pela diferença entre o fluxo operacional e os investimentos. Ao fim de setembro, a companhia possuía US$ 812 milhões em caixa e equivalentes, enquanto os empréstimos, financiamentos e obrigações de arrendamento financeiro somavam aproximadamente US$ 7,37 bilhões. A combinação de geração operacional de caixa negativa, investimentos e endividamento elevado aumenta a importância de uma recuperação consistente das margens, embora a avaliação da liquidez também dependa das linhas de crédito disponíveis e dos vencimentos da dívida.

Os resultados acumulados reforçam que a dificuldade não se limita ao terceiro trimestre. Entre janeiro e setembro, a receita consolidada somou US$ 12,67 bilhões, contra US$ 13,36 bilhões no mesmo período de 2025, e o prejuízo líquido atribuível à Goodyear alcançou US$ 691 milhões. O lucro operacional dos segmentos caiu de US$ 641 milhões para US$ 305 milhões. Nas Américas, a redução foi ainda mais expressiva, de US$ 502 milhões para US$ 123 milhões, com a margem acumulada recuando de 6,4% para 1,7%. A empresa demonstrou capacidade de recuperar parte dos resultados em relação ao segundo trimestre, mas ainda precisa comprovar que os ganhos de eficiência, as mudanças no portfólio e a reorganização industrial serão suficientes para produzir uma recuperação sustentável. Para os próximos períodos, os indicadores decisivos serão a utilização das fábricas, a evolução das margens nas Américas e a capacidade de converter os resultados operacionais em geração positiva de caixa.

Imagem: Goodyear.

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