Análise completa: Hankook cresce, lucro líquido cai 59%
A Hankook Tire & Technology encerrou o terceiro trimestre de 2026 com receita consolidada de KRW 5,465 trilhões (US$ 3,84 bilhões), crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro operacional aumentou 2,2%, para KRW 598,8 bilhões (US$ 420,7 milhões), mas o lucro líquido recuou 59,5%, para KRW 157,9 bilhões (US$ […]
por Mateus Taday em 06/11/2026 - Atualizado em 06/11/2026
A Hankook Tire & Technology registrou receita consolidada de KRW 5,465 trilhões (US$ 3,84 bilhões) no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 1% na comparação anual. O lucro operacional aumentou 2,2%, para KRW 598,8 bilhões (US$ 420,7 milhões), mas o lucro líquido caiu 59,5%, para KRW 157,9 bilhões (US$ 110,9 milhões). A diferença reflete uma forte deterioração do resultado não operacional, cujas causas específicas ainda precisam ser detalhadas nas demonstrações definitivas.
A divisão de pneus alcançou receita trimestral recorde de KRW 2,8083 trilhões (US$ 1,97 bilhão), crescimento de 3,7%, enquanto o lucro operacional diminuiu 2,6%, para KRW 505,9 bilhões (US$ 355,4 milhões). A margem recuou de 19,2% para 18%, pressionada pelos custos de matérias-primas e logística. Em contrapartida, a Hanon Systems, subsidiária de gerenciamento térmico, ampliou seu lucro operacional em 26,6%, para KRW 120,6 bilhões (US$ 84,7 milhões), contribuindo para a melhora do resultado consolidado.
Nos primeiros nove meses de 2026, a Hankook acumulou receita de KRW 16,461 trilhões (US$ 11,57 bilhões) e lucro operacional de KRW 1,665 trilhão (US$ 1,17 bilhão), crescimento de 4,5% e 28,6%, respectivamente. Apesar da recuperação operacional, o lucro líquido acumulado diminuiu 3,7%. A companhia continua expandindo sua produção nos Estados Unidos e na Hungria, enquanto busca preservar a rentabilidade com maior participação de pneus premium e específicos para veículos elétricos.
A Hankook Tire & Technology encerrou o terceiro trimestre de 2026 com receita consolidada de KRW 5,465 trilhões (US$ 3,84 bilhões), crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro operacional aumentou 2,2%, para KRW 598,8 bilhões (US$ 420,7 milhões), mas o lucro líquido recuou 59,5%, para KRW 157,9 bilhões (US$ 110,9 milhões). Os resultados, divulgados em 6 de novembro, mostram um contraste entre a recuperação operacional do grupo e a forte redução do lucro final.
O balanço consolidado precisa ser interpretado considerando a presença da Hanon Systems, fabricante de sistemas de gerenciamento térmico incorporada aos resultados da Hankook desde 2025. A divisão de pneus respondeu por aproximadamente 51,4% da receita consolidada no terceiro trimestre, enquanto a Hanon representou 48,6%. A distinção é relevante porque os dois negócios apresentam estruturas de custos, margens e dinâmicas de mercado diferentes. Considerar toda a receita como proveniente da venda de pneus produziria uma avaliação distorcida do desempenho da fabricante sul-coreana.
Divisão de pneus bate recorde, mas perde margem
O negócio de pneus registrou receita trimestral recorde de KRW 2,8083 trilhões (US$ 1,97 bilhão), crescimento de 3,7% sobre o mesmo período de 2025. O avanço foi impulsionado pelo aumento do volume comercializado e por efeitos cambiais favoráveis, segundo a companhia. Entretanto, o lucro operacional diminuiu 2,6%, de KRW 519,2 bilhões (US$ 364,8 milhões) para KRW 505,9 bilhões (US$ 355,4 milhões). A margem operacional caiu de 19,2% para 18%, indicando que a expansão comercial não foi suficiente para preservar integralmente a rentabilidade.
A pressão veio principalmente do aumento dos custos de matérias-primas e logística, associado pela empresa às tensões geopolíticas no Oriente Médio. A maior participação de pneus de valor agregado compensou parte desse impacto, mas não impediu a redução do resultado operacional. Na comparação com o segundo trimestre de 2026, a evolução foi mais favorável: a receita permaneceu praticamente estável, enquanto o lucro operacional cresceu 4,7%, ante KRW 483,2 bilhões (US$ 339,5 milhões). A margem avançou de 17,2% para 18%. Isso significa que a divisão recuperou parte da rentabilidade perdida ao longo do ano, embora ainda permaneça abaixo do nível registrado no terceiro trimestre de 2025.
A composição das vendas continua sendo um dos principais elementos da estratégia da Hankook. Nos primeiros nove meses de 2026, pneus para rodas de 18 polegadas ou maiores representaram 49,4% da receita de pneus para veículos de passeio e comerciais leves. Na receita de pneus fornecidos como equipamento original para esse mesmo segmento, os produtos específicos para veículos elétricos responderam por 32,3%. A fabricante mantém a expansão da linha iON, dedicada a veículos elétricos, além das famílias de alto desempenho e pneus de inverno. Essa composição ajuda a sustentar margens elevadas, mas os resultados mostram que a estratégia não elimina a exposição à inflação dos insumos e aos custos de transporte.
Hanon Systems sustenta o resultado consolidado
A Hanon Systems apresentou comportamento diferente do negócio de pneus. Sua receita caiu 1,8%, para KRW 2,6569 trilhões (US$ 1,87 bilhão), enquanto o lucro operacional cresceu 26,6%, para KRW 120,6 bilhões (US$ 84,7 milhões). A margem operacional passou de 3,5% para 4,5%. Na comparação com o segundo trimestre, o faturamento diminuiu 7,6%, mas o lucro operacional avançou 16,3%. O desempenho indica melhora na capacidade de geração de resultados da divisão, mesmo diante de menor atividade comercial.
A contribuição da Hanon ajuda a explicar por que o lucro operacional consolidado cresceu enquanto o resultado da divisão de pneus diminuiu. O ganho operacional da subsidiária foi de KRW 25,3 bilhões (US$ 17,8 milhões) na comparação anual, suficiente para compensar a redução de KRW 13,3 bilhões (US$ 9,3 milhões) registrada no negócio de pneus. As duas divisões somaram KRW 626,5 bilhões (US$ 440,1 milhões) em lucro operacional antes dos ajustes de consolidação, enquanto o resultado consolidado foi de KRW 598,8 bilhões (US$ 420,7 milhões). A diferença decorre dos ajustes contábeis entre empresas e operações do grupo.
Lucro líquido recua apesar da melhora operacional
A deterioração mais expressiva aparece abaixo do resultado operacional. O lucro antes dos impostos caiu 58,6%, de KRW 550,4 bilhões (US$ 386,7 milhões) para KRW 227,8 bilhões (US$ 160 milhões). A diferença entre lucro operacional e lucro antes dos impostos aumentou de aproximadamente KRW 35,6 bilhões (US$ 25 milhões) para KRW 371 bilhões (US$ 260,7 milhões). Isso indica uma deterioração significativa no resultado líquido das rubricas não operacionais. A divulgação preliminar, entretanto, não apresenta detalhamento suficiente para atribuir essa variação especificamente a despesas financeiras, efeitos cambiais, participações societárias ou outros componentes.
O lucro líquido consolidado caiu de KRW 389,6 bilhões (US$ 273,7 milhões) para KRW 157,9 bilhões (US$ 110,9 milhões). Já o lucro atribuível aos acionistas controladores diminuiu 42,6%, para KRW 224,2 bilhões (US$ 157,5 milhões). A diferença entre as duas medidas resulta da distribuição dos resultados entre os acionistas controladores e as participações de não controladores nas subsidiárias. Portanto, a queda de 59,5% representa o lucro líquido consolidado total, e não exclusivamente o resultado atribuível aos acionistas da Hankook Tire & Technology.
Nos primeiros nove meses de 2026, a receita consolidada alcançou KRW 16,461 trilhões (US$ 11,57 bilhões), crescimento de 4,5%, enquanto o lucro operacional aumentou 28,6%, para KRW 1,665 trilhão (US$ 1,17 bilhão). A margem operacional acumulada passou de aproximadamente 8,2% para 10,1%. Entretanto, o lucro líquido do período recuou 3,7%, para KRW 847,6 bilhões (US$ 595,5 milhões). A diferença entre o avanço operacional acumulado e a evolução do lucro final reforça a necessidade de acompanhar os componentes financeiros e não operacionais nos próximos balanços.
Expansão industrial e perspectivas
A Hankook continua ampliando sua capacidade produtiva nos Estados Unidos e na Hungria. A expansão da fábrica do Tennessee busca aumentar o atendimento ao mercado norte-americano, enquanto a unidade de Rácalmás, na Hungria, passou a incorporar a produção de pneus para caminhões e ônibus. Essa diversificação industrial pode reduzir a dependência de importações para determinados mercados e ampliar a capacidade de resposta à demanda regional. Entretanto, os investimentos também elevam as exigências de capital e tornam importante acompanhar a utilização das fábricas, os custos fixos e o retorno das novas linhas produtivas. O comunicado trimestral não apresentou números suficientes para avaliar individualmente a rentabilidade dessas expansões.
A distribuição geográfica continua sendo um aspecto estratégico para a companhia, especialmente diante das tarifas comerciais, das oscilações cambiais e dos custos logísticos. A Europa representa uma parcela importante das vendas globais de pneus da Hankook, enquanto a produção norte-americana pode contribuir para reduzir parte da exposição às importações. Para o Brasil e a América do Sul, a divulgação não trouxe informações específicas sobre faturamento, volumes ou margens. Assim, não é possível estabelecer uma relação direta entre os resultados globais e o desempenho da fabricante nesses mercados.
O balanço apresenta uma situação distinta da observada em algumas fabricantes que enfrentam quedas mais acentuadas de margem. A Hankook preservou rentabilidade operacional de 18% na divisão de pneus e conseguiu recuperar parte do desempenho em relação ao trimestre anterior, mesmo sob pressão dos custos. O principal desafio será sustentar esse nível de rentabilidade enquanto expande sua capacidade industrial e incorpora os resultados de um negócio de características diferentes, como a Hanon Systems. A forte queda do lucro líquido, apesar da evolução operacional consolidada, também exige atenção: a consistência da recuperação dependerá não apenas da venda de pneus de maior valor agregado, mas da capacidade de transformar essa atividade em resultados financeiros sustentáveis.
Imagem: Hankook.