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ANIP alerta para colapso e pede ação urgente ao MDIC

A Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos – ANIP entregou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC um manifesto multissetorial com diagnóstico e propostas para reverter o que classifica como uma crise sem precedentes na indústria brasileira de pneus. O documento destaca o avanço das importações e alerta para riscos estruturais em […]

por Mateus Taday em 23/03/2026 - Atualizado em 20/03/2026

A Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos – ANIP entregou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC um manifesto multissetorial com diagnóstico e propostas para reverter o que classifica como uma crise sem precedentes na indústria brasileira de pneus. O documento destaca o avanço das importações e alerta para riscos estruturais em toda a cadeia produtiva.

Segundo a entidade, a participação de pneus produzidos no Brasil no mercado de reposição caiu de 66% em 2021 para 41% em 2025, atingindo um nível inédito de 28% em janeiro de 2026, enquanto os importados passaram a representar 72% do total. A ANIP aponta que esse movimento reflete condições assimétricas de competição e crescente pressão sobre a indústria local.

O manifesto afirma que toda a cadeia — incluindo fornecedores de borracha natural, aço, químicos e têxteis — vem sendo impactada pela entrada massiva de produtos importados, muitas vezes a preços inferiores ao custo internacional de produção. Além disso, segundo dados do IBAMA, importadores acumulam há 15 anos descumprimento das metas de recolhimento de pneus inservíveis, gerando um passivo ambiental estimado em 500 mil toneladas.

De acordo com a ANIP, entre os principais fatores que explicam o desequilíbrio competitivo estão a prática de preços abaixo do custo, instabilidade tarifária — como a redução a 0% do imposto de importação para pneus de carga entre 2021 e 2023 —, pressão cambial favorável às importações e desvio de comércio decorrente de medidas adotadas por outros países. O caso do México, que elevou tarifas para 35% em 2025, é citado como exemplo de redirecionamento de fluxos ao mercado brasileiro.

O documento conta com apoio de entidades como ABIQUIM, ABRABOR, FENABOR, Firjan, Reciclanip e SINPEC, entre outras organizações do setor. A coalizão defende que o cenário atual ameaça a continuidade da produção nacional e pode levar à desindustrialização do segmento.

Entre as medidas propostas estão a adoção de licenciamentos não automáticos para importações, maior rigor em análises antifraude, comprovação do cumprimento de exigências ambientais, aceleração de processos antidumping e estímulo a compras públicas com conteúdo local. Também são sugeridas ações de alinhamento tarifário com outros países e políticas de incentivo à produção de borracha no Brasil.

“Estamos vivendo um momento de grave risco de ruptura da cadeia de produção que pode levar à desindustrialização do setor, comprometendo a soberania nacional e a oferta de insumos estratégicos para o país”, afirmou Rodrigo Navarro. Segundo ele, a adoção das medidas propostas é essencial para restabelecer condições mais equilibradas de competição no mercado brasileiro.

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