Coluna do Quadrelli: O “parafuso de borracha” substitui o “macarrão” para reparos temporários em pneus?
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: Parece ser mais prático, mas só o tempo dirá se substituirá o “macarrão”. Vários vídeos na web estão exaltando a praticidade e baixo custo de reparos temporários de pneus denominados “parafusos”, “plugues” ou até “pregos de borracha”. São normalmente importados da China e já estão […]
por José Carlos Quadrelli em 23/02/2026 - Atualizado em 19/02/2026
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.
José Carlos Quadrelli: Parece ser mais prático, mas só o tempo dirá se substituirá o “macarrão”.
Vários vídeos na web estão exaltando a praticidade e baixo custo de reparos temporários de pneus denominados “parafusos”, “plugues” ou até “pregos de borracha”. São normalmente importados da China e já estão no mercado há alguns anos, sendo muito usados no motociclismo também.
Eles são formados por um parafuso de cabeça tipo Phillips (em cruz) feito de metal ou plástico e com o corpo de borracha butílica ou natural envolto em resina ou gel adesivo. Costumam ser fornecidos dentro de tubinhos plásticos transparentes e em dois tamanhos: para furos de 1 até 3 mm de diâmetro e para furos de 3 até 5 mm de diâmetro. A ideia é que, uma vez retirado o objeto que causou o furo (prego ou parafuso, por exemplo), ele seja aparafusado de imediato no furo até que a cabeça fique rente com a borracha circundante. Um kit de 20 reparos (10 de cada medida) custa de R$10,00 a 20,00 ou até menos dependendo do fornecedor, um pouco mais em conta do que a mesma quantidade de reparos tipo “macarrão”.
A vantagem deste tipo de reparo em relação ao “macarrão” (ver artigo anterior escrito por mim nesta coluna) é a maior facilidade de uso já que a instalação do primeiro exige ferramentas especiais (raspa, aplicador e estilete pelo menos) e mais cuidados, enquanto este exige apenas uma chave de fenda Phillips.
É importante aqui insistir que ambos destes reparos são temporários, ou seja, são aceitáveis quando não se tem a possibilidade de efetuar de imediato um reparo definitivo com um “reparo combinado” que veda tanto a parte interna do pneu e o furo. Portanto, são efetuados sem se desmontar o pneu e sem que seja feita uma limpeza interna.
Além disso, é importante frisar que mesmo que se efetue um reparo destes dois tipos pessoalmente e em local distante de uma oficina apropriadamente equipada, será necessário ter, além dos reparos em si, uma chave de fenda ou alicate, para remover o prego ou parafuso do pneu, e um pequeno compressor para inflar o pneu caso tenha havido perda de pressão de inflação significativa. Neste aspecto o “parafuso de borracha” seria mais vantajoso já que pode ser introduzido de imediato assim que o objeto seja retirado do pneu.
O reparo tipo “macarrão” tem sido usado por muito tempo e muitos motoristas acabam não trocando para um reparo definitivo quando tem oportunidade (ou por falta de tempo ou dinheiro, ou mesmo por esquecimento). Como já dissemos anteriormente, este não é o procedimento mais correto e nada substitui uma análise mais criteriosa feita por um técnico credenciado, mas, se o reparo foi efetuado de forma adequada, ele pode até durar por um tempo razoável, principalmente em pneus tipo passeio ou caminhonete.
No caso do “parafuso de borracha”, entretanto, apesar de sua praticidade, ele introduz um ponto rígido na estrutura danificada, o que pode ser prejudicial com o passar do tempo. Além disso, não deve ser usado para furos de mais de 5 mm de diâmetro (a norma ABNT Mercosul NBR NM 225:2000 limita a 6 mm o diâmetro para furos em pneus passeio e 8 mm em pneus de caminhonete) e não deve ser usado para reparos nos ombros e nas laterais (flancos) dos pneus, embora alguns vídeos apregoem o contrário, nem em furos em ângulo acima de 45 graus.
Concluindo, caso não seja possível fazer um reparo definitivo de imediato, o uso deste tipo de reparo temporário, pode até ser mais prático que o “macarrão”, mas deve-se tomar cuidados adicionais. Como? Fazendo uma verificação mais frequente (pelo menos 2 vezes por semana) para ver se não há escapamento de ar pelo reparo através da medição da pressão de inflação do pneu com um calibrador aferido ou, na falta deste, com água e sabão mesmo, até que se possa levar o veículo a uma loja credenciada para trocar por um reparo definitivo. Lembramos sempre que a segurança de rodagem depende da integridade e desempenho adequado dos pneus, únicos pontos de contato do veículo com o solo.
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* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –