Coluna do Quadrelli: Que tipo de avaria pode condenar um pneu de automóvel?
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: Em linhas gerais é aquela que impede o pneu de continuar desempenhando uma ou mais de suas funções básicas (suportar carga, transmitir forças de tração e frenagem, manter e alterar direção e absorver impactos) através de um comprometimento de sua estrutura, obrigando o seu usuário […]
por José Carlos Quadrelli em 21/01/2026 - Atualizado em 20/01/2026
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.
José Carlos Quadrelli: Em linhas gerais é aquela que impede o pneu de continuar desempenhando uma ou mais de suas funções básicas (suportar carga, transmitir forças de tração e frenagem, manter e alterar direção e absorver impactos) através de um comprometimento de sua estrutura, obrigando o seu usuário a retirá-lo do serviço permanentemente. Vamos examinar em maior detalhe.
Primeiramente, vamos definir o que é uma avaria num pneu. Os dicionários definem essa palavra como “estrago, dano ou deterioração”. Em outras palavras, é uma condição que leva a uma falha do pneu. Entretanto, nem toda falha condenará um pneu. Algumas podem ser passíveis de conserto, como um furo por prego na banda de rodagem, por exemplo. Por isso, é útil classificar as avarias de acordo com as suas causas principais (“causas raiz” como são chamadas) como listamos a seguir considerando apenas os casos comuns mais importantes e que podem levar a condenar um pneu:
- Baixa pressão de inflação ou sobrecarga. Esta é a causa raiz de grande parte das falhas dos pneus. Ela pode levar inicialmente apenas a um desgaste irregular leve, mas mesmo esta condição, se não corrigida a tempo, pode condenar um pneu se o desgaste atingir as cintas estabilizadoras, expondo-as à entrada de sujeira e umidade, levando à desagregação das cintas e até ao estouro. Pode resultar também na condição de quebra da carcaça por rodar vazio, em que a temperatura elevada gerada pelo uso prolongado nessa condição pode desagregar completamente os componentes da carcaça do pneu (rugas ou quebras na parte interna do pneu próximas aos talões podem aparecer inicialmente o que já é suficiente para condenar o pneu);
- Danos aos talões por montagem ou assentamento inadequado. Neste caso podem aparecer rachaduras, rasgos ou arrancamentos na área do talão, o que já condena o pneu uma vez que consertos nessa área não são aceitáveis (embora alguns insistam nisso) já que os talões garantem a estanqueidade junto à roda e qualquer falha pode levar a um estouro do pneu;
- Cortes ou rasgos penetrantes nas laterais (flancos). Num pneu de automóvel, qualquer dano penetrante nas laterais já condena o mesmo uma vez que consertos não são permitidos nessa região (devido à flexão cíclica), embora possam ser passíveis de conserto alguns pneus de caminhonete e de carga, dependendo do tamanho da avaria;
- Protuberâncias radiais nas laterais. Popularmente conhecidas como “bolhas”, tais condições podem ser ocasionadas tanto por desvios de fabricação (arames das lonas faltantes, distorcidos ou enrugados) como por desagregações dos componentes internos devido a impactos em buracos ou guias. Esses pneus acabam sendo condenados pois novos impactos na mesma região podem levar ao estouro;
- Materiais estranhos ou não especificados. Materiais como peças de metal, pedaços de arame, madeira, vidro ou plástico, embutidos na borracha por contaminação durante a fabricação, podem aparecer após algum tempo de uso. A não ser que tais materiais sejam muito pequenos ou superficiais, tais pneus devem ser retirados de serviço já que a movimentação dos materiais com o rodar do pneu acaba danificando sua estrutura;
- Danos ocasionados por agentes externos (calor ou fogo e produtos químicos). Estes agentes podem deteriorar a borracha da banda de rodagem ou das laterais, tornando-as quebradiças por ressecamento ou mesmo esponjosas por reação química, o que pode levar a arrancamentos ou desagregações de componentes.
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* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –