Disputa pelo controle da Pirelli permanece sem consenso
Segundo reportagem publicada na Tire Business, as tensões entre os principais acionistas da fabricante italiana de pneus Pirelli & C. S.p.A. continuam. De um lado está o grupo chinês Sinochem, que controla 37% da companhia por meio do fundo Marco Polo International (MPI). Do outro, a holding italiana Camfin S.p.A., liderada por Marco Tronchetti Provera, […]
por Lara Roibone em 26/06/2025 - Atualizado em 26/06/2025
Segundo reportagem publicada na Tire Business, as tensões entre os principais acionistas da fabricante italiana de pneus Pirelli & C. S.p.A. continuam. De um lado está o grupo chinês Sinochem, que controla 37% da companhia por meio do fundo Marco Polo International (MPI). Do outro, a holding italiana Camfin S.p.A., liderada por Marco Tronchetti Provera, ex-presidente da Pirelli, que possui 26,4% das ações. O restante está dividido entre investidores institucionais e acionistas individuais.
O impasse se intensificou após o conselho de administração da Pirelli, com sede em Milão, votar em abril pelo fim da influência majoritária da MPI. A decisão se baseou em um decreto do governo italiano que concluiu que a empresa não está sob o controle direto de nenhum grupo. Essa medida foi interpretada como uma tentativa de limitar a presença chinesa em setores considerados estratégicos.
No entanto, a Camfin divulgou uma nova declaração em 17 de junho alegando que, segundo sua interpretação atualizada, não há nenhum acionista com controle efetivo sobre a Pirelli. Essa visão contrasta com uma versão anterior publicada em maio e reaquece a disputa pela governança da companhia, que vem sendo monitorada por autoridades e pelo mercado financeiro.
A assembleia geral ordinária de acionistas da Pirelli, realizada em 12 de junho, aprovou os resultados financeiros do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2024. O placar da votação reflete a divisão entre os grupos: 57,1% do capital presente votou a favor, enquanto os 42,9% contrários correspondem à participação da MPI. O resultado evidencia que, apesar de não deter o controle formal, o grupo chinês ainda exerce influência significativa nas decisões corporativas.
O MPI já havia manifestado publicamente sua insatisfação com a decisão do conselho, afirmando que o decreto do governo italiano não retira formalmente seu controle sobre a empresa. A situação permanece indefinida, com possibilidade de novos desdobramentos judiciais ou regulatórios, enquanto a disputa pela liderança da Pirelli segue como um exemplo das tensões entre interesses corporativos locais e estrangeiros em setores sensíveis da economia europeia.