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Fabricantes de pneus criticam ampliação de regra da UE

A indústria europeia de pneus manifestou preocupação com a proposta de ampliação do Mecanismo de Ajustamento Carbônico na Fronteira (CBAM) da União Europeia. Em posicionamento conjunto divulgado em 5 de outubro de 2026, a Tyres Europe, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) e a Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (CLEPA) alertaram que as […]

por Mateus Taday em 15/10/2026 - Atualizado em 14/10/2026

A indústria europeia de pneus manifestou preocupação com a proposta de ampliação do Mecanismo de Ajustamento Carbônico na Fronteira (CBAM) da União Europeia. Em posicionamento conjunto divulgado em 5 de outubro de 2026, a Tyres Europe, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) e a Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (CLEPA) alertaram que as mudanças em discussão podem elevar os custos industriais e ampliar as exigências administrativas para fabricantes de pneus, veículos e componentes.

O CBAM foi criado para estabelecer um custo associado às emissões de carbono incorporadas em determinados produtos importados pela União Europeia. O objetivo é reduzir o risco de transferência da produção para países com regras ambientais menos rigorosas, fenômeno conhecido como fuga de carbono. O mecanismo já abrange categorias como ferro, aço, alumínio, cimento, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio. A proposta atualmente em negociação pretende estender sua aplicação a produtos industrializados que utilizam alguns desses materiais.

Fabricantes alertam para aumento de custos

As três associações afirmam apoiar os objetivos ambientais do CBAM, mas consideram que a ampliação proposta pode transferir parte dos custos e dos riscos de deslocamento industrial para empresas que utilizam materiais sujeitos ao mecanismo. No caso dos pneus, a preocupação envolve especialmente os componentes de aço empregados em sua fabricação, além dos custos indiretos associados às cadeias de fornecimento.

Segundo as entidades, a inclusão de centenas de novas classificações aduaneiras pode aumentar a complexidade dos procedimentos de declaração e verificação das emissões. Elas defendem que a ampliação seja limitada aos produtos para os quais exista risco comprovado de fuga de carbono e que os métodos de cálculo e fiscalização sejam suficientemente desenvolvidos antes da entrada em vigor das novas obrigações.

A Tyres Europe também questiona o cronograma previsto para 2028. A associação considera prematura a implementação de novas exigências enquanto persistem dificuldades operacionais no sistema atual, incluindo a disponibilidade de verificadores credenciados e a obtenção de dados confiáveis sobre emissões ao longo das cadeias internacionais de fornecimento.

Setor pede mudanças antes da aprovação

Entre as propostas apresentadas pelas associações estão a simplificação das obrigações administrativas, a utilização de valores de referência mais próximos dos processos industriais reais e a manutenção de limites mínimos de importação que evitem exigências desproporcionais para operações de menor porte.

As entidades também defendem mecanismos que impeçam a dupla incidência de custos relacionados ao carbono sobre determinadas cadeias produtivas. Na avaliação dos representantes industriais, uma regulamentação excessivamente abrangente pode prejudicar a competitividade das fábricas europeias sem necessariamente proporcionar proteção equivalente contra importações de produtos acabados.

O secretário-geral da Tyres Europe, Adam McCarthy, afirmou que a indústria de pneus apoia os objetivos do CBAM, mas considera necessário estabelecer regras proporcionais e viáveis para as empresas. A manifestação foi apresentada antes das negociações entre as instituições europeias responsáveis pela definição do texto final.

A ampliação ainda não foi aprovada definitivamente. Portanto, não existe, neste momento, uma nova cobrança generalizada de carbono sobre pneus decorrente dessa proposta. Seu impacto dependerá dos produtos efetivamente incluídos, das regras de cálculo e do cronograma que vierem a ser adotados pela União Europeia.

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