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Greve geral expõe crise estrutural da indústria de pneus argentina

A Argentina enfrenta nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, uma greve geral, convocada por centrais sindicais em reação ao ajuste econômico, à queda da atividade industrial e à perda de postos de trabalho. O movimento ocorre em um contexto de retração do consumo, custos elevados de produção e dificuldades de competitividade, cenário que pressiona especialmente setores […]

por Lara Roibone em 19/02/2026 - Atualizado em 20/02/2026

A Argentina enfrenta nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, uma greve geral, convocada por centrais sindicais em reação ao ajuste econômico, à queda da atividade industrial e à perda de postos de trabalho. O movimento ocorre em um contexto de retração do consumo, custos elevados de produção e dificuldades de competitividade, cenário que pressiona especialmente setores industriais intensivos em capital, como o de pneus.

Nesse ambiente, o fechamento da fábrica da FATE reacendeu o debate sobre a sustentabilidade do modelo produtivo local. Em entrevista ao Infobae, o ex-presidente da Bridgestone, Eduardo Minardi, afirmou que a decisão não pode ser atribuída a um único fator, mas a um conjunto de limitações estruturais que se agravaram ao longo do tempo.

Segundo Minardi, a indústria global de pneus passa por um processo de consolidação, com grandes grupos operando em escala elevada, forte incorporação tecnológica e custos mais competitivos. Nesse contexto, a FATE teria permanecido isolada, sem integração a cadeias internacionais de produção, o que reduziu sua capacidade de competir. O executivo também apontou que a planta operava com utilização estimada em cerca de 30% de sua capacidade instalada, nível considerado insuficiente para sustentar a operação no longo prazo.

O ex-dirigente destacou ainda na entrevista o papel dos conflitos trabalhistas. Para ele, a ausência de convergência entre empresa e sindicato dificultou a construção de acordos que permitissem ganhos de produtividade e previsibilidade. “O sindicato não tem o menor interesse em chegar a um acordo”, afirmou Minardi, ao comparar o caso com negociações observadas em outros segmentos industriais, onde ajustes foram feitos para preservar empregos e competitividade.

Na avaliação do executivo, o futuro da indústria de pneus na Argentina dependerá de mudanças estruturais, como maior inserção internacional, atualização tecnológica e modelos de gestão capazes de dialogar com o novo cenário global. Ele citou a Pirelli como exemplo de empresa que vem buscando adaptação às transformações do setor, ressaltando que, sem ajustes desse tipo, a combinação entre crise econômica, tensões sindicais e baixa escala produtiva tende a continuar limitando o desenvolvimento da indústria local.

Foto: Pixabay

* Com informações Infobae

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