Indústria de pneus recua 2,7% no ano
As vendas de pneus produzidos no Brasil registraram retração de 2,7% entre os meses de janeiro e setembro deste ano na comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados divulgados pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP). Foram 29 milhões de unidades comercializadas, ante 29,8 milhões em 2024. O levantamento mostra que o […]
por Lara Roibone em 28/10/2025 - Atualizado em 03/11/2025
As vendas de pneus produzidos no Brasil registraram retração de 2,7% entre os meses de janeiro e setembro deste ano na comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados divulgados pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP). Foram 29 milhões de unidades comercializadas, ante 29,8 milhões em 2024. O levantamento mostra que o mercado de reposição segue sendo o mais afetado pela desaceleração, refletindo o impacto da concorrência de pneus importados e a redução na demanda interna.
De acordo com a ANIP, as vendas para o mercado de reposição apresentaram queda de 7% no acumulado do ano, totalizando 18,8 milhões de unidades, frente às 20,3 milhões vendidas no mesmo período do ano passado. Já o segmento de montadoras avançou 6,6%, com 10,1 milhões de pneus entregues às fábricas de veículos. Apesar desse crescimento, o desempenho positivo das montadoras não compensou as perdas observadas no varejo e nas oficinas, que concentram a maior parte do consumo nacional.
No segmento de pneus de passeio, que representa a maior fatia do mercado, houve redução de 2,1% nas vendas nos nove primeiros meses do ano, com 24,1 milhões de unidades. O mercado de reposição recuou 6,9%, enquanto as vendas para montadoras subiram 7,6%. Em pneus de carga, a retração foi de 5,2%, com 4,8 milhões de unidades vendidas, puxada pela queda de 7,6% no mercado de reposição. Já os pneus para motocicletas tiveram queda de 11,5%, totalizando 6,7 milhões de unidades.
O mês de setembro manteve a tendência negativa: foram 3,2 milhões de pneus vendidos, uma queda de 8,2% em relação a setembro de 2024. O recuo mais forte foi novamente no mercado de reposição, com retração de 12%. As montadoras reduziram suas compras em 1,1% no mesmo período. Entre os segmentos, os pneus de carga caíram 10,5% e os de passeio 7,8%. Apenas o segmento de motocicletas permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,1%.
Para o presidente da ANIP, Rodrigo Navarro, “o setor enfrenta um ambiente de forte competição com produtos importados vendidos a preços abaixo do mercado internacional”. Ele defende medidas que assegurem condições justas de concorrência, preservando empregos e a cadeia produtiva nacional, que inclui fabricantes de aço, borracha, têxteis e produtos químicos. Segundo Navarro, a entidade mantém diálogo com o governo brasileiro para buscar soluções que fortaleçam a competitividade da indústria de pneus no país.
Ilustração gerada por IA