Pneus podem apodrecer com o tempo?
José Carlos Quadrelli: O termo não é apropriado no caso de pneus, mas eles podem sofrer os efeitos do tempo, como explicaremos. A questão do apodrecimento surgiu devido a um termo usado nos EUA para identificar uma condição que aparece em alguns pneus: dry rot, que literalmente significa “apodrecimento a seco”. A borracha não apodrece […]
por Mateus Taday em 08/01/2026 - Atualizado em 08/01/2026
José Carlos Quadrelli: O termo não é apropriado no caso de pneus, mas eles podem sofrer os efeitos do tempo, como explicaremos.
A questão do apodrecimento surgiu devido a um termo usado nos EUA para identificar uma condição que aparece em alguns pneus: dry rot, que literalmente significa “apodrecimento a seco”. A borracha não apodrece no sentido que a palavra é usada para alimentos, por exemplo, mas pode se tornar mais dura e quebradiça com o tempo, surgindo rachaduras e danos por ressecamento, além de uma alteração da cor original (mais esbranquiçada). Esse fenômeno vai ocorrer mais cedo ou mais tarde com as borrachas que compõem os pneus devido à exposição das mesmas à temperatura, luz solar (raios UV ou ultravioletas), umidade e ozônio. Daí é mais apropriado usar o termo weathering, em inglês, ou “intemperismo” na nossa língua.
Os compostos de borracha usados nos pneus recebem produtos chamados antidegradantes, que são agentes de proteção da borracha que retardam o seu envelhecimento precoce devido ao contato com os agentes externos já citados e a flexão que sofre continuamente. Graxas, antioxidantes e antiozonantes são usados. Entretanto, estes produtos conseguem retardar o processo até certo ponto já que, com o tempo, sua ação vai se reduzindo, e cabe ao usuário tomar alguns cuidados para prolongar a vida útil do pneu.
O que o usuário pode fazer para retardar o envelhecimento de seus pneus?
- Primeiramente, usá-los. Pneus armazenados e sem uso por muito tempo, como é o caso de pneus estepe, por exemplo, acabam sofrendo os efeitos ambientais citados acima e em grau ainda maior se não cuidados adequadamente. Daí porque se recomenda utilizar os pneus estepe ao se fazer os rodízios. Se for necessário armazenar pneus por períodos acima de alguns meses, deve-se ter os cuidados de evitar sua exposição à luz solar (cobrindo-os), mantê-los em posição vertical (girando-os de vez em quando) e limpos, longe de fontes de eletricidade (ozônio) e umidade;
- Limpá-los adequadamente. Deve-se evitar o uso de produtos a base de petróleo ou solventes químicos. Os famosos produtos tipo “pneu pretinho” deixam os pneus brilhantes, mas podem contribuir para ressecar a borracha mais rapidamente. O ideal é limpar com água e sabão neutro. Existe no mercado alguns produtos denominados “condicionadores de pneus” à base de água ou silicone, que podem hidratar e proteger os pneus dos raios UV, pelo menos temporariamente. Cuidados também devem ser tomados com lavadores de alta pressão, que também podem danificar a borracha;
- Manter a pressão de inflação correta. A pressão correta manterá o desgaste e as flexões cíclicas das laterais dos pneus dentro dos parâmetros de projeto, o que irá garantir que a sua temperatura de operação não atinja valores excessivos. Recomenda-se verificar a pressão semanalmente já que um pequeno furo pode não ser detectado a tempo. Não esquecer do estepe, se houver;
- Inspecionar os pneus com frequência. Verifique os pneus com mais cuidado pelo menos mensalmente e antes de viagens mais longas, procurando sinais de danos, rachaduras, alterações de cor e desgastes irregulares. Com isso, ações podem ser tomadas para impedir seu progresso e aumentar a vida útil dos pneus. Novamente, incluir o estepe na inspeção.

* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem a opinição do 54PSI –