Sinochem avalia venda de participação na Pirelli
A estatal chinesa Sinochem Holdings Corporation, que detém 37% do capital da fabricante italiana de pneus Pirelli & C. S.p.A., estaria reavaliando sua posição acionária e considerando a possibilidade de vender parcial ou totalmente sua participação. A informação foi divulgada por fontes próximas à empresa e reflete um contexto de tensão política e empresarial que […]
por Mateus Taday em 09/10/2025 - Atualizado em 09/10/2025
A estatal chinesa Sinochem Holdings Corporation, que detém 37% do capital da fabricante italiana de pneus Pirelli & C. S.p.A., estaria reavaliando sua posição acionária e considerando a possibilidade de vender parcial ou totalmente sua participação. A informação foi divulgada por fontes próximas à empresa e reflete um contexto de tensão política e empresarial que se arrasta há mais de um ano.
O conflito entre a Sinochem e o grupo Camfin S.p.A., principal acionista italiano da Pirelli, gira em torno de questões de governança corporativa e de controle estratégico. Em 2023, o governo da Itália, liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, aplicou as chamadas regras de “poder dourado” (golden power), mecanismo que permite ao Estado intervir em empresas consideradas estratégicas para o país.
Com isso, Roma restringiu a capacidade de decisão da Sinochem dentro da Pirelli, concedendo à Camfin o direito de nomear a alta administração e direcionar as principais decisões estratégicas. A medida foi interpretada como uma forma de preservar a autonomia da companhia diante da crescente influência chinesa.
Sinochem busca alternativas e possível saída parcial
Embora a Sinochem ainda se veja como uma investidora de longo prazo, fontes indicam que a empresa está aberta a negociar sua fatia se houver uma oferta atrativa — ou seja, que inclua um valor adicional sobre o preço de mercado. Entre as opções em análise estão a venda integral ou a redução parcial da participação.
O impasse entre os acionistas também afetou os planos da Pirelli de expandir sua presença nos Estados Unidos. De acordo com a imprensa italiana, o país teria emitido alertas sobre o envolvimento de capitais chineses na operação da empresa, o que poderia complicar futuras negociações e projetos.
A Pirelli, com sede em Milão, segue enfrentando os desafios de equilibrar seus interesses industriais globais com as pressões políticas e regulatórias que envolvem seus principais investidores.