Stellantis encerra programa de hidrogênio e impacta Symbio
Em uma guinada estratégica anunciada em 16 de julho de 2025, a Stellantis informou que vai descontinuar seu programa de desenvolvimento de tecnologia de célula a combustível a hidrogênio e suspender o lançamento de veículos movidos a esse sistema no curto prazo. A decisão reacende incertezas sobre a Symbio — joint venture de sistemas de […]
por Mateus Taday em 28/07/2025 - Atualizado em 28/07/2025
Em uma guinada estratégica anunciada em 16 de julho de 2025, a Stellantis informou que vai descontinuar seu programa de desenvolvimento de tecnologia de célula a combustível a hidrogênio e suspender o lançamento de veículos movidos a esse sistema no curto prazo. A decisão reacende incertezas sobre a Symbio — joint venture de sistemas de célula a combustível formada por Michelin, Forvia (grupo global de autopeças) e a própria Stellantis — que dependia fortemente dos volumes do conglomerado automotivo.
Segundo comunicado da Stellantis, fatores como a disponibilidade limitada de infraestrutura de abastecimento de hidrogênio, a necessidade de investimentos elevados e a falta de incentivos robustos ao cliente pesaram na decisão. A empresa diz não prever adoção significativa de veículos comerciais leves (VCL; do inglês light commercial vehicles, LCV) a hidrogênio antes do fim da década e, por isso, cancelou o lançamento da nova linha Pro One a célula a combustível planejada para 2025.
As operações industriais já preparadas para produzir vans médias em Hordain, França, e modelos de maior porte em Gliwice, Polônia, serão redirecionadas. A Stellantis afirma que não haverá impacto no quadro de pessoal dessas fábricas e que as atividades de pesquisa e desenvolvimento ligadas ao hidrogênio serão migradas para outros projetos internos, em um contexto de priorização de metas de redução de dióxido de carbono (CO2) e de expansão das ofertas elétrica e híbrida.
Os parceiros não esconderam a surpresa. Em nota conjunta, Michelin e Forvia disseram ter sido informadas em maio sobre a intenção da Stellantis de encerrar as atividades relacionadas ao hidrogênio a partir de 2026 e classificaram a mudança como inesperada, com potenciais consequências operacionais e financeiras severas para a Symbio. As empresas destacam que pedidos da Stellantis representavam cerca de 80% do volume planejado da joint venture e manifestaram preocupação com os cerca de 650 empregados globais da operação (aprox. 590 na França e 50 no exterior).
Diante do recuo, a Stellantis iniciou conversas com os demais acionistas para avaliar alternativas que preservem os interesses da Symbio e respeitem os compromissos assumidos por cada parte. A montadora ingressou no capital da empresa em 2023, juntando-se a Michelin e Forvia em participação equivalente — movimento que embasou um plano de expansão industrial da fornecedora de células a combustível para atender futuros programas de veículos comerciais.
A incerteza sobre a demanda chega justamente quando a Symbio muda de comando. Após cinco anos à frente da companhia, Philippe Rosier deixou o cargo em 9 de julho de 2025; ele e o conselho decidiram conjuntamente que a evolução do cenário estratégico exigia uma transição. Quem assume é Jean-Baptiste Lucas, ex-presidente-executivo da fabricante de eletrólisadores McPhy, experiência que o coloca no centro das discussões sobre a economia do hidrogênio.