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Vendas de pneus caem em outubro e acumulam retração

O mercado brasileiro de pneus voltou a apresentar retração em outubro, com uma queda de 7,4% nas vendas em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Foram comercializadas cerca de 3,4 milhões de unidades, o que representa redução superior a 280 mil pneus. No acumulado de janeiro a outubro, o setor soma 33,5 milhões de […]

por Mateus Taday em 28/11/2025 - Atualizado em 01/12/2025

O mercado brasileiro de pneus voltou a apresentar retração em outubro, com uma queda de 7,4% nas vendas em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Foram comercializadas cerca de 3,4 milhões de unidades, o que representa redução superior a 280 mil pneus. No acumulado de janeiro a outubro, o setor soma 33,5 milhões de unidades vendidas, resultado 3,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. A pressão maior continua vindo do mercado de reposição, que encolheu 6,7%.

Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), a concorrência com pneus importados segue como um dos principais pontos de atenção. Rodrigo Navarro, presidente da entidade, afirma que parte dessas importações chega ao país a valores considerados incompatíveis com os custos de produção locais. “Seguimos trabalhando de forma propositiva para enfrentar as ameaças de perda de investimentos, empregos e de desorganização do ecossistema produtivo no Brasil”, destaca. Ele acrescenta que o setor busca condições equivalentes às adotadas por mercados como México, Estados Unidos e Europa, envolvendo custos, preços e cumprimento de normas ambientais e técnicas.

A performance anual também mostra comportamentos distintos entre os segmentos. As montadoras registraram alta de 4,1% no período, enquanto automóveis de passeio tiveram queda de 2,7% no total e de 6,6% na reposição. O único avanço ocorreu nas vendas diretas às montadoras, com aumento de 4,9%. No setor de pneus de carga, a retração acumulada chega a 5,5%, com queda de 0,6% nas montadoras e de 7,4% no mercado de reposição. No caso das motocicletas, a reposição recuou 11,7% em comparação ao mesmo período de 2024.

A redução das vendas começa a gerar efeitos na cadeia produtiva de insumos, que envolve borracha natural, químicos, têxteis e aço. A Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor) demonstra preocupação com o cenário. Seu presidente, José Fernando Benesi, afirma que as importações em condições consideradas desleais, amparadas por medidas antidumping vigentes, pressionam a indústria nacional e reduzem a demanda pela borracha brasileira. “Quando a indústria nacional de pneus é afetada desta forma, toda a cadeia fica comprometida”, disse. Ele destaca que produtores rurais já sentem impactos no manejo da seringueira.

Na comparação entre outubro e setembro, porém, o setor registrou um alívio pontual: as vendas totais subiram 8,7%, impulsionadas principalmente pelo mercado de reposição, que cresceu 15,3%. As montadoras, no entanto, tiveram queda de 2,3% no mês. Mesmo com esse respiro de curto prazo, os números acumulados mostram que o setor de pneus encerra o período com desafios estruturais, influenciados pela concorrência global, pela complexidade tributária e pela retração no consumo interno, fatores centrais no debate sobre competitividade e indústria automotiva no Brasil.

O ponto de vista dos importadores

Na visão da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP), o mercado brasileiro de pneus vive um novo momento, sustentado pela diversidade de marcas e pela crescente demanda dos consumidores por liberdade de escolha. Os pneus importados desempenham um papel fundamental nessa transformação, oferecendo tecnologia avançada, preços competitivos e ampliando a competitividade do setor como um todo. Em um cenário global em que lojas e redes multimarcas, inclusive as vinculadas a fabricantes nacionais se tornaram padrão, insistir em discursos protecionistas significa ignorar a evolução natural do mercado e as necessidades reais dos consumidores.

“A defesa de barreiras comerciais e narrativas ultrapassadas apenas fragiliza o ambiente competitivo e mascara os verdadeiros problemas do setor. O maior desafio não está nos importadores regulares, que cumprem integralmente suas obrigações ambientais e fiscais, mas sim na falta de fiscalização estrutural sobre práticas ilegais que distorcem o mercado: contrabando, evasão tributária, uso indevido de benefícios fiscais e revendas disfarçadas de consumo próprio que acabam penalizando quem opera dentro da lei e fortalecendo quem atua à margem dela”, avalia Ricardo Alípio, presidente da Abidip.

Segundo o executivo, para se construir um mercado de pneus mais justo, sustentável e alinhado às tendências globais, é indispensável superar o protecionismo e abrir espaço para um diálogo técnico e transparente entre todos os atores do setor. “O setor precisa de união e maturidade institucional. Em vez de ataques mútuos, ANIP e ABIDIP devem se unir contra os verdadeiros predadores do mercado: a sonegação, o contrabando e o comércio ilegal”, conclui Alípio.

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