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Pneus nacionais têm mais vidas que importados, aponta estudo

Os pneus de carga produzidos no Brasil apresentam maior potencial médio de recapagem do que os importados, de acordo com um levantamento da Junsoft, empresa especializada em sistemas de gestão para reformadoras. Os resultados do estudo foram divulgados durante a Pneushow 2026, realizada entre 23 e 25 de junho, no Expo Center Norte, em São […]

por Mateus Taday em 25/06/2026 - Atualizado em 25/06/2026

Os pneus de carga produzidos no Brasil apresentam maior potencial médio de recapagem do que os importados, de acordo com um levantamento da Junsoft, empresa especializada em sistemas de gestão para reformadoras. Os resultados do estudo foram divulgados durante a Pneushow 2026, realizada entre 23 e 25 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Publicado originalmente pela Frota&Cia, o levantamento analisou 709.323 pneus de caminhões e ônibus processados entre janeiro de 2025 e maio de 2026. Segundo a Junsoft, a amostra representa aproximadamente 15% dos pneus recapados no Brasil nesses dois segmentos.

Do total avaliado, 536.978 pneus, ou 75,7% da amostra, haviam sido produzidos no Brasil. Os outros 172.345 pneus, equivalentes a 24,3%, eram importados. A análise reuniu produtos de mais de 400 marcas, distribuídos em quatro medidas, e acompanhou carcaças que chegaram a até cinco processos de reforma.

Diferença cresce na segunda recapagem

Segundo a Junsoft, os pneus nacionais alcançaram média de 1,94 vida, enquanto os importados registraram 1,78. A empresa apresentou o resultado como uma vantagem média de 16% para os produtos fabricados no Brasil, considerando a sobrevivência das carcaças ao longo dos diferentes ciclos de reforma.

A diferença mais relevante foi observada entre os pneus que já haviam recebido uma primeira recapagem e retornaram para uma nova avaliação. Nesse estágio, 21,6% das carcaças importadas foram reprovadas na tentativa de realizar a segunda reforma, ante 16,9% das nacionais.

Na primeira avaliação, realizada em pneus que ainda não haviam sido recapados, os resultados foram semelhantes. A taxa de rejeição foi de 5,1% entre os nacionais e de 5,6% entre os importados. A distância aumentou, portanto, conforme as carcaças acumularam quilometragem e novos ciclos de utilização.

A cada 100 pneus nacionais incluídos no levantamento, aproximadamente 23 chegaram à terceira reforma ou avançaram além desse estágio. Entre os importados, somente 11 em cada 100 alcançaram o mesmo resultado. No conjunto da amostra, 59,7% dos importados encerraram seu ciclo até a segunda reforma, ante 48,6% dos nacionais.

Da terceira recapagem em diante, entretanto, as diferenças entre os dois grupos diminuíram. Em alguns estágios, as carcaças importadas que permaneceram em circulação chegaram a apresentar índices de rejeição ligeiramente inferiores aos dos pneus nacionais.

Medidas concentram quase toda a amostra

As medidas 295/80R22.5 e 275/80R22.5 responderam juntas por 99,2% dos pneus analisados. A 295/80R22.5 representou 68,4% da amostra, com média de 1,88 reforma para os produtos nacionais e 1,75 para os importados.

Na medida 275/80R22.5, responsável por 30,8% do total, os pneus nacionais alcançaram média de 2,03 reformas, enquanto os importados registraram 1,88. O estudo não apresentou resultados individualizados por marca ou modelo.

A Junsoft informou que os dados foram extraídos de seu sistema, utilizado por cerca de 20% das mais de 1.300 reformadoras certificadas pelo Inmetro no país. De acordo com Guilherme Gazzoni, CEO da empresa, o objetivo foi transformar percepções recorrentes entre reformadores e frotistas em indicadores que possam auxiliar na escolha dos pneus e na avaliação do custo total de utilização.

O executivo ressaltou que o grupo dos importados reúne produtos com diferentes níveis de qualidade e que algumas carcaças estrangeiras alcançam quatro ou mais vidas. Por isso, os resultados agrupados não significam que todo pneu importado tenha desempenho inferior, mas indicam maior variação entre as marcas estrangeiras disponíveis no mercado brasileiro.

Para a Junsoft, a capacidade de recapagem deve ser considerada juntamente com o preço de aquisição, já que a necessidade de substituir antecipadamente uma carcaça pode aumentar o custo por quilômetro da frota. A empresa estima que, em uma operação hipotética com 100 caminhões e 18 pneus por veículo, a diferença nas taxas de rejeição poderia representar uma economia anual superior a R$ 123 mil.

Com informações da Frota&Cia.

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