Vale a pena usar pneus de base larga em veículos de carga?
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: Depende da aplicação. Vamos entender melhor o que são esses pneus antes de falarmos sobre seus prós e contras. O termo “pneu de base larga” vem do inglês: wide base tire, que também recebe o nome de super single tire naquela língua, o que, numa […]
por Mateus Taday em 14/08/2026 - Atualizado em 13/08/2026
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.
José Carlos Quadrelli: Depende da aplicação. Vamos entender melhor o que são esses pneus antes de falarmos sobre seus prós e contras.
O termo “pneu de base larga” vem do inglês: wide base tire, que também recebe o nome de super single tire naquela língua, o que, numa tradução livre seria “pneu super único” (a norma brasileira da ALAPA o denomina “pneu super largo”). Isso porque são pneus de maior largura e capacidade de carga do que os pneus normais e cuja função é substituir os pneus duplos encontrados nos eixos de tração e eixos não-direcionais de caminhões e reboques e até de ônibus rodoviários e caminhões especiais como os de combate a incêndio (nestes casos usados até em eixos dianteiros).
Estes pneus foram desenvolvidos inicialmente para atender certas utilizações que necessitavam de maior largura útil da carga ou menor largura total do que aquela fornecida pela montagem normal de pneus duplos podia fornecer. Começaram a ser comercializados no Brasil na década de 1990 e produzidos aqui somente a partir de 2003.
As vantagens de se usar este tipo de pneu em comparação à montagem de pneus duplos são:
1. menor peso dos conjuntos rodas/pneus (2 em vez de 4 por eixo), aumentando a capacidade de carga do veículo (mais vantajoso em caminhões tanque e plataformas de carga);
2. menor largura do conjunto permite ganho de volume transportado;
3. menor consumo de combustível (menor resistência ao rolamento dos pneus);
4. melhor estabilidade do veículo (dependendo da especificação);
5. manutenção de pressão de inflação facilitada (menos pneus e sem pneus internos).
Por outro lado, existem algumas desvantagens que restringem sua utilização em larga escala:
1. maior custo inicial (pneus/rodas);
2. menor capacidade de carga comparado a pneus duplos;
3. menor quilometragem comparado a pneus duplos (principalmente na tração);
4. menor recapabilidade comparado a pneus simples;
5. avaria maior num pneu não permite prosseguir viagem (possível com eixo duplo);
6. maior peso do conjunto pneu/roda (manuseio mais difícil);
7. maior custo de reforma (por pneu);
8. maior deterioração do piso (maior concentração de tensões).
A legislação brasileira atual (Resolução CONTRAN 913/22) permite a utilização destes pneus, na medida 385/65R22.5, ao substituir pneus duplos, somente com suspensão pneumática, com base em estudos que revelaram que tais pneus concentram mais tensões no piso, levando à sua deterioração mais rápida. O uso deste tipo de suspensão tenderia a reduzir esse impacto.
O uso de outras medidas é permitido no Brasil contanto que estejam contempladas na norma brasileira da ALAPA, em eixos direcionais e em qualquer eixo em veículos de bombeiros, salvamento e uso bélico. Nestes casos, sua maior capacidade de carga é importante quando usado em eixos de pneus simples, como é o caso de eixos dianteiros, por exemplo. Atualmente a norma da ALAPA contempla também as medidas de largura 425 e 465 mm da série 65 com diâmetros de 19,5 e 22,5 pol. Portanto, sua utilização atende algumas aplicações mais restritas. Embora seu uso tenha sido mais disseminado nos EUA e Europa, no Brasil o alto custo, baixa produção local e a péssima condição das estradas limitam muito sua popularização.
Image by pvproductions on Magnific

* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –