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Recapagem reduz emissões, mas depende da eficiência

A recapagem pode reduzir significativamente o impacto ambiental da produção de pneus, mas o benefício ao longo de todo o ciclo de vida depende da resistência ao rolamento e da quilometragem. A conclusão aparece em estudos divulgados pela Tyres Europe. Os três trabalhos analisaram pneus europeus de passeio, carga, recapados e ressulcados. As avaliações foram […]

por Mateus Taday em 02/09/2026 - Atualizado em 02/09/2026

A recapagem pode reduzir significativamente o impacto ambiental da produção de pneus, mas o benefício ao longo de todo o ciclo de vida depende da resistência ao rolamento e da quilometragem. A conclusão aparece em estudos divulgados pela Tyres Europe.

Os três trabalhos analisaram pneus europeus de passeio, carga, recapados e ressulcados. As avaliações foram elaboradas pela Sphera com dados médios fornecidos por diferentes fabricantes, seguiram as normas ISO 14040 e ISO 14044 e passaram por revisão independente.

Os resultados mostram que a utilização do pneu representa a maior parte dos impactos ambientais avaliados. A resistência ao rolamento influencia o consumo de combustível ou energia durante milhares de quilômetros, enquanto a produção das matérias-primas aparece geralmente como o segundo fator mais relevante.

Na comparação de pneus de carga 315/70 R22.5, o produto de alto desempenho apresentou impactos ambientais entre 8% e 27% menores que o pneu de desempenho médio a baixo. O primeiro combinava menor resistência ao rolamento com uma quilometragem aproximadamente 55% maior.

Benefício pode desaparecer durante o uso

No recorte que considera a produção, a recapagem de uma carcaça existente apresentou emissões de gases de efeito estufa 52% menores que a utilização de pneus novos de desempenho médio a baixo para cobrir a mesma quilometragem.

A diferença não representa uma redução de 52% em todo o ciclo de vida. Segundo o estudo, mais de 90% das emissões analisadas podem ocorrer durante o uso, o que torna a resistência ao rolamento determinante para o resultado final.

No cenário com uma recapagem, o benefício ambiental desapareceria caso a resistência ao rolamento aumentasse aproximadamente 21%. Com duas recapagens, o ponto de equilíbrio ficou entre 10% e 11%, dependendo da redução de quilometragem considerada.

A ressulcagem também apresentou resultado positivo. No cenário avaliado, um pneu de carga premium ressulcado gerou impacto climático potencial 14% menor que a utilização de um pneu novo de desempenho médio a baixo.

Estudo utiliza cenários europeus

A análise da recapagem não utilizou dados representativos medidos de resistência ao rolamento e quilometragem dos pneus recapados. Os pesquisadores adotaram hipóteses e calcularam os pontos em que o benefício obtido pela reutilização da carcaça seria neutralizado pela perda de eficiência durante o uso.

Os estudos também consideram dados europeus de 2021 e medidas específicas de pneus. Portanto, os resultados não demonstram que qualquer pneu recapado necessariamente possui impacto ambiental menor que um produto novo.

A principal conclusão é que a avaliação não deve considerar apenas a quantidade de matérias-primas preservadas. Durabilidade, resistência ao rolamento, possibilidade de novas recapagens e condições reais de operação precisam ser analisadas conjuntamente.

Essa abordagem pode contribuir para discussões na América Latina sobre compras públicas, regulamentação e valorização da recapagem. A aplicação regional, entretanto, exige dados de frotas, estradas, carcaças e processos produtivos locais.