Flexsys avança com duas alternativas ao 6PPD
A Flexsys reduziu a duas moléculas sua busca por um substituto para o 6PPD, antidegradante amplamente utilizado na fabricação de pneus. As substâncias, cujas identidades ainda não foram divulgadas, passarão agora por uma etapa adicional de avaliação antes da escolha de um candidato para comercialização. O avanço foi anunciado originalmente pela companhia em 27 de […]
por Mateus Taday em 11/09/2026 - Atualizado em 09/09/2026
A Flexsys reduziu a duas moléculas sua busca por um substituto para o 6PPD, antidegradante amplamente utilizado na fabricação de pneus. As substâncias, cujas identidades ainda não foram divulgadas, passarão agora por uma etapa adicional de avaliação antes da escolha de um candidato para comercialização. O avanço foi anunciado originalmente pela companhia em 27 de agosto.
A pressão pela substituição do 6PPD ganhou força depois que pesquisas identificaram a 6PPD-quinona, formada pela reação do aditivo com o ozônio, como altamente tóxica para salmões-coho. O caso levou a Califórnia, em 2023, a exigir que fabricantes de pneus vendidos no estado avaliem alternativas mais seguras ao composto, como noticiamos na época.
Segundo a Flexsys, nenhuma das duas moléculas finalistas pertence à família química das PPDs e nenhuma forma quinonas durante sua atuação no composto de borracha. A empresa afirma que os candidatos já atingiram seus parâmetros internos de desempenho, possibilidade de produção em escala, toxicidade e impacto ambiental. As moléculas utilizariam ainda, em grande parte, a mesma química intermediária empregada atualmente na fabricação do 6PPD, o que poderia facilitar uma eventual produção industrial.
Flexsys segue caminho diferente da Lanxess
A Flexsys também firmou um acordo de pesquisa com o U.S. Geological Survey, o USGS, para avaliar independentemente a toxicidade aquática dos dois candidatos e de seus produtos de transformação. Os estudos deverão incluir possíveis efeitos sobre espécies de salmão do Pacífico, grupo particularmente sensível à 6PPD-quinona.
A abordagem é diferente daquela adotada pela Lanxess com o Vulkanox 4060. O produto da empresa alemã utiliza CCPD, que continua pertencendo à família das PPDs e pode formar uma quinona ao reagir com ozônio. A Lanxess, porém, afirma que os testes realizados até agora não identificaram efeitos agudos sobre salmões-coho nas condições avaliadas. O Vulkanox 4060 já concluiu uma etapa do registro REACH e tem produção comercial prevista para o quarto trimestre de 2026.
A solução da Flexsys está em estágio menos avançado de comercialização, mas busca eliminar justamente duas características associadas ao problema atual: a estrutura PPD e a formação de quinonas. Outras empresas também seguem caminhos distintos. Em 2025, a Perpetuus apresentou uma solução baseada em grafeno funcionalizado com aminas para dispensar o uso convencional do 6PPD, abordagem que também já foi detalhada pelo 54PSI. Apesar dos avanços, ainda não há uma alternativa universalmente aceita que reúna desempenho, segurança ambiental, disponibilidade e custo comparáveis aos do 6PPD.