Importados já são 40% dos pneus novos na UE
Os pneus importados representaram 40% de todos os pneus novos instalados na União Europeia em 2024, segundo um novo estudo da Oxford Economics encomendado pela Tyres Europe. O levantamento mostra uma exposição crescente da indústria europeia tanto à entrada de produtos acabados quanto à dependência de matérias-primas e componentes provenientes de outros mercados. O estudo, […]
por Mateus Taday em 29/09/2026 - Atualizado em 28/09/2026
Os pneus importados representaram 40% de todos os pneus novos instalados na União Europeia em 2024, segundo um novo estudo da Oxford Economics encomendado pela Tyres Europe. O levantamento mostra uma exposição crescente da indústria europeia tanto à entrada de produtos acabados quanto à dependência de matérias-primas e componentes provenientes de outros mercados.
O estudo, intitulado The Critical Importance of the EU Tyre Industry, acompanha a cadeia desde o fornecimento de matérias-primas até os setores que dependem diretamente de veículos e equipamentos com pneus. Além dos dados de comércio e produção, a Oxford Economics utilizou informações do Eurostat, da OCDE e das fabricantes representadas pela Tyres Europe.
Dependência também está nas matérias-primas
Os insumos importados correspondem a 11,9% do valor da produção de pneus na União Europeia, enquanto a média de dependência de importações intermediárias para a economia europeia é de aproximadamente 7%. No caso da borracha natural, a dependência externa da UE chega a 100%.
Essa exposição ocorre apesar da ampla estrutura industrial mantida pelas grandes fabricantes na região. Os membros da Tyres Europe operam mais de 70 unidades de produção e 20 centros de pesquisa e desenvolvimento na Europa. Entre 2017 e 2023, essas empresas investiram aproximadamente €10 bilhões em pesquisa e desenvolvimento.
O avanço dos importados ocorre em um momento de crescente pressão sobre a competitividade da produção europeia. Em julho, a União Europeia impôs direitos antidumping definitivos sobre pneus de passeio e comerciais leves produzidos na China, com alíquotas entre 4,3% e 45,3%. Fabricantes também vêm revisando capacidade e encerrando operações em diferentes países europeus.
Estudo mede impacto além das fábricas
A Oxford Economics estima que setores diretamente dependentes de pneus produzidos na União Europeia representam potencialmente €1,5 trilhão em PIB, equivalente a cerca de 9% da economia do bloco, e empregam 30,5 milhões de pessoas, ou 13% do emprego europeu.
Esses números não correspondem à contribuição direta da indústria de pneus. O cálculo considera atividades potencialmente viabilizadas pelo fornecimento de pneus europeus, incluindo transporte de cargas e passageiros, agricultura, construção e outros setores que dependem de veículos e equipamentos sobre pneus.
O estudo também simulou um cenário hipotético de forte interrupção no fornecimento de borracha natural para avaliar como a falta da matéria-prima poderia reduzir a produção de pneus e se espalhar por outros setores da economia. A Oxford Economics ressalta que o cenário não representa uma previsão, mas uma análise da vulnerabilidade provocada pela dependência das cadeias globais.
Para a Tyres Europe, os resultados reforçam a defesa de políticas industriais que considerem não apenas matérias-primas e tecnologias estratégicas, mas também a manutenção da capacidade de fabricar produtos acabados no continente. O levantamento mostra que essa discussão ocorre enquanto quatro em cada dez pneus novos instalados na União Europeia já chegam de fábricas localizadas fora do bloco.