Indústria europeia pede defesa comercial mais rápida
A indústria europeia de pneus pediu que a União Europeia acelere as investigações comerciais e acompanhe permanentemente as importações mesmo depois da aplicação de tarifas. A proposta foi apresentada pela Tyres Europe, associação que representa fabricantes e entidades nacionais do setor. O documento não estabelece novas tarifas nem representa uma decisão da Comissão Europeia, mas […]
por Mateus Taday em 07/10/2026 - Atualizado em 06/10/2026
A indústria europeia de pneus pediu que a União Europeia acelere as investigações comerciais e acompanhe permanentemente as importações mesmo depois da aplicação de tarifas.
A proposta foi apresentada pela Tyres Europe, associação que representa fabricantes e entidades nacionais do setor. O documento não estabelece novas tarifas nem representa uma decisão da Comissão Europeia, mas detalha as mudanças defendidas pela indústria para proteger a produção regional.
Segundo a entidade, os mecanismos atuais não acompanham a velocidade com que os fluxos comerciais e a capacidade industrial migram entre diferentes países. A associação também relaciona essa defasagem ao fechamento de nove fábricas de pneus anunciado na Europa nos últimos dois anos, com mais de 4,4 mil empregos afetados.
Tarifas chegam após mudança nas importações
No mercado de pneus de passeio e comerciais leves, a investigação europeia contra produtos chineses começou em maio de 2025. Os direitos antidumping definitivos, porém, somente entraram em vigor em 8 de julho de 2026.
Nesse intervalo, as importações provenientes da China caíram 57% no primeiro trimestre de 2026, enquanto as compras de outras origens cresceram 41%. A Tyres Europe argumenta que a mudança reduziu a efetividade das medidas antes mesmo de sua aplicação.
O 54PSI já mostrou que a União Europeia estabeleceu tarifas entre 4,3% e 45,3% para os pneus chineses. A associação agora defende a utilização mais rápida de medidas provisórias e, quando possível, a cobrança retroativa para neutralizar a antecipação de importações e a formação de estoques durante as investigações.
A entidade também utiliza o segmento de pneus de carga para mostrar o que pode ocorrer depois da imposição das tarifas. A participação chinesa nas importações da União Europeia e do Reino Unido caiu de 73% em 2017 para menos de 21% em 2019, após as medidas adotadas em 2018.
Enquanto isso, Tailândia e Vietnã ampliaram sua participação conjunta de menos de 3% em 2017 para 54% em 2024 e quase 61% nos primeiros cinco meses de 2026. A própria Tyres Europe reconhece que esses números não comprovam tentativas de contornar as tarifas. Para a entidade, entretanto, a mudança deveria provocar análises sobre transferência legítima de produção, desvio de comércio ou possível circunvenção.
Associação quer monitorar novas origens
Entre as propostas estão a abertura de processos antes que o dano torne as fábricas economicamente inviáveis, o monitoramento sistemático de países que ganhem participação depois da aplicação das tarifas e o início mais rápido de novas investigações ou salvaguardas.
A Tyres Europe também pede que a União Europeia possa aplicar tarifas mais elevadas nos casos envolvendo sobrecapacidade estrutural ou apoio estatal. Atualmente, a chamada regra da menor tarifa permite limitar a cobrança ao nível considerado suficiente para eliminar o dano à indústria europeia, mesmo quando a margem de dumping calculada é maior.
Outras propostas incluem preços mínimos de importação, mais recursos para a área de comércio da Comissão Europeia e uma atuação coordenada entre medidas antidumping, controle de subsídios estrangeiros, compras públicas, fiscalização aduaneira e análise de investimentos.
A manifestação amplia o posicionamento apresentado anteriormente pela associação. Um estudo encomendado pela entidade estimou que os importados já representam 40% dos pneus novos instalados na União Europeia.
Os países latino-americanos não são apontados no documento. No entanto, a criação de um sistema permanente de monitoramento de “origens alternativas” poderia alcançar qualquer mercado que ampliasse rapidamente suas exportações para a Europa.
Outro possível efeito seria o redirecionamento de pneus produzidos na Ásia para a América Latina caso a União Europeia passe a restringir também produtos fabricados fora da China. Essa consequência ainda é apenas potencial, pois a Comissão Europeia não anunciou novas investigações ou mudanças nas regras atuais.