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Murfitts e Michelin terão usina de pirólise no Reino Unido

A fabricante francesa de pneus Michelin e a empresa britânica Murfitts Industries, especializada em reciclagem de pneus, anunciaram uma parceria estratégica para instalar uma unidade de recuperação de materiais por pirólise na cidade de Stoke-on-Trent, no Reino Unido. O projeto, orçado em aproximadamente R$ 101 milhões, será implantado no terreno da fábrica da Michelin na […]

por Mateus Taday em 08/07/2025 - Atualizado em 08/07/2025

A fabricante francesa de pneus Michelin e a empresa britânica Murfitts Industries, especializada em reciclagem de pneus, anunciaram uma parceria estratégica para instalar uma unidade de recuperação de materiais por pirólise na cidade de Stoke-on-Trent, no Reino Unido. O projeto, orçado em aproximadamente R$ 101 milhões, será implantado no terreno da fábrica da Michelin na região e tem previsão para entrar em operação até o final de 2026.

A proposta é tratar pneus inservíveis por meio de um processo térmico que permite a recuperação de energia e de matérias-primas como negro de fumo regenerado (rCB, na sigla em inglês) e óleo de pirólise (TPO, tyre pyrolysis oil). A energia gerada no processo será aproveitada diretamente nas operações da Michelin na planta, reduzindo em cerca de 1.500 toneladas anuais as emissões de dióxido de carbono da unidade fabril, segundo estimativas da empresa.

De acordo com os planos apresentados, a Murfitts receberá anualmente cerca de 12.500 toneladas de pneus fora de uso, o que equivale a aproximadamente 1,35 milhão de unidades de automóveis. Para efeito de comparação, esse volume seria suficiente para processar dois pneus de cada um dos 602 mil carros registrados atualmente nas regiões de Stoke-on-Trent e Staffordshire.

A Murfitts já atua no reaproveitamento de cerca de 20 milhões de pneus por ano no Reino Unido, transformando-os em insumos para diversos segmentos, como revestimentos esportivos e pavimentação com asfalto modificado. A nova planta vai ampliar essa capacidade com foco na reinserção de materiais na cadeia produtiva da própria indústria de pneus, promovendo um modelo de economia circular.

Segundo Mark Murfitt, fundador da empresa, o projeto representa um avanço significativo na forma como os pneus são reciclados. Ele afirma que o objetivo é transformar resíduos em insumos com desempenho superior, em alguns casos, aos materiais virgens equivalentes. “Acreditamos que essa planta pode mudar o ciclo de vida dos pneus, reintegrando seus componentes diretamente nas fábricas”, declarou o executivo.

Além do reaproveitamento de energia e matérias-primas, o processo também produzirá vapor, que será direcionado à fábrica da Michelin, substituindo parte do gás natural atualmente utilizado na etapa de vulcanização dos pneus. Para a Michelin, o projeto representa não apenas ganhos ambientais, mas também uma forma de reduzir custos energéticos e manter competitividade. A iniciativa também foi elogiada por lideranças da empresa na Europa como parte do compromisso com a mobilidade sustentável.

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