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Mercado instável pressiona lucros da Michelin em 2025

O Grupo Michelin enfrentou um primeiro semestre desafiador em 2025, atribuindo o desempenho negativo a um ambiente de mercado volátil e à instabilidade cambial. A receita operacional da fabricante francesa de pneus recuou 18%, somando US$ 1,71 bilhão (aproximadamente R$ 9,3 bilhões), enquanto a receita líquida caiu 27,8%, para US$ 988,5 milhões (cerca de R$ […]

por Lara Roibone em 28/07/2025 - Atualizado em 28/07/2025

O Grupo Michelin enfrentou um primeiro semestre desafiador em 2025, atribuindo o desempenho negativo a um ambiente de mercado volátil e à instabilidade cambial. A receita operacional da fabricante francesa de pneus recuou 18%, somando US$ 1,71 bilhão (aproximadamente R$ 9,3 bilhões), enquanto a receita líquida caiu 27,8%, para US$ 988,5 milhões (cerca de R$ 5,4 bilhões). A receita total no período foi de US$ 15,3 bilhões (R$ 83,6 bilhões), uma retração de 3,4% na comparação anual.

A queda de 6,1% no volume global de pneus vendidos foi impulsionada principalmente pela retração nos mercados de equipamento original, com impacto mais severo nos segmentos de caminhões, veículos agrícolas e pneus para infraestrutura. Já o mercado de reposição apresentou desempenho estável em relação a 2024. O grupo destacou um efeito positivo de 4% na combinação entre preço e mix de produtos, refletindo a estratégia de priorização de valor sobre volume.

Na América do Norte e Central, as vendas de pneus para equipamento original em veículos de passeio e utilitários leves encolheram 5%, enquanto o mercado de reposição cresceu modestos 2%. A empresa aponta que incertezas relacionadas a possíveis tarifas alfandegárias e à transição mais lenta para veículos eletrificados prejudicaram a confiança dos fabricantes. No segmento de pneus para caminhões e ônibus, a queda nas vendas de equipamento original foi de 19% na região, mesmo com crescimento de 4% nas vendas de reposição, impulsionadas por importações.

Entre os segmentos operacionais, a margem da divisão de pneus para automóveis e motocicletas ficou em 12,2%, com destaque para o aumento na participação de pneus com aros de 18 polegadas ou mais. Já a margem do segmento de transporte rodoviário caiu para 5,5%, devido à menor absorção de custos fixos diante da queda nas encomendas de fabricantes de veículos. O setor de pneus especializados (agro, construção, logística) também foi impactado pela retração nas vendas de equipamento original, enquanto os segmentos de aviação e mineração registraram crescimento.

Para o restante de 2025, a Michelin projeta estabilidade no mercado de pneus em comparação ao ano anterior, mas reconhece o cenário de elevada incerteza econômica, tarifária e cambial. A empresa afirma que manterá suas metas financeiras para o ano, desde que não ocorram novas deteriorações no ambiente macroeconômico. A estratégia, segundo a companhia, passa por adaptação contínua, preservação de liquidez e presença forte em mercados-chave.

Foto: Michelin/Divulgação