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Coluna do Quadrelli: O que gera a resistência ao rolamento de um pneu e como reduzi-la?

54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: Embora a princípio possa parecer que o atrito com o solo seria a principal causa, na verdade não é. Vamos entender o que realmente acontece. Primeiramente, vamos definir o que é a resistência ao rolamento. Como o nome diz, é a resistência que os pneus […]

por José Carlos Quadrelli em 05/02/2026 - Atualizado em 03/02/2026

54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.

José Carlos Quadrelli: Embora a princípio possa parecer que o atrito com o solo seria a principal causa, na verdade não é. Vamos entender o que realmente acontece.

Primeiramente, vamos definir o que é a resistência ao rolamento. Como o nome diz, é a resistência que os pneus impõem quando um veículo, através de seu motor, tenta fazê-los girar para movimentá-lo. Em torno de 25% da energia necessária para mover um veículo em velocidades rodoviárias é consumida para vencer a resistência ao rolamento dos pneus (a resistência do ar e das demais partes móveis do veículo perfazem o restante). Basicamente existem quatro fontes dessa resistência:

  1. Atrito do pneu com o piso: é o que possibilita transferir o torque gerado pelo motor para os pneus para que o veículo se movimente;
  2. Atrito entre pneu e o aro da roda: sem o qual a transferência de torque não seria possível;
  3. Arrasto aerodinâmico: o ar também impõe uma resistência causada pelo atrito do ar contra as superfícies dos pneus, embora seja bem pequena comparada com a do veículo como um todo;
  4. Deformação do pneu ao girar: esta é a principal fonte da resistência ao rolamento, podendo variar de 80 a 95% do total dependendo da velocidade, temperatura, estrutura e características dos materiais que compõem o pneu. O pneu sofre uma compressão na região de contato com o piso e depois uma distensão quando ele se afasta do piso levando à ocorrência de um fenômeno chamado histerese. Esta é uma perda de energia devido ao fato de a borracha não ser completamente elástica (e sim viscoelástica), ou seja, ocorre uma deformação que é apenas parcialmente recuperada, o que resulta em um aumento de temperatura.

Quanto maior a resistência ao rolamento dos pneus, maior será o consumo de combustível do veículo e maior também a emissão de gases nocivos à atmosfera. Daí porque os pneus com baixa resistência ao rolamento recebem o nome de “pneus verdes”, menos danosos ao meio ambiente.

E o que pode ser feito para reduzir a resistência ao rolamento dos pneus? A seguir listamos algumas estratégias seguidas pelos fabricantes de pneus para conseguir isso:

  1. Uso de compostos especiais de banda de rodagem: alguns compostos, em que parte do negro de fumo usado na mistura da borracha é substituído por sílica ou silano e alguns outros polímeros, possuem resistência ao rolamento mais reduzida do que os compostos convencionais;
  2. Uso de compostos de componentes internos de menor histerese: são usados especialmente nas laterais (flancos) dos pneus para reduzir as perdas que ocorrem com a sua flexão cíclica ao rodar;
  3. Redução da profundidade dos sulcos da banda de rodagem: o que reduz a deformação dos elementos da banda, o que é observado também com o desgaste do pneu, já que a resistência ao rolamento de um pneu gasto pode ser até 20% menor do que a de um pneu novo;
  4. Aumento da pressão de inflação: tende a reduzir a faixa de contato do pneu com o solo, e tem sido usado como estratégia para reduzir o consumo de combustível em modelos mais econômicos, embora possa gerar desgaste irregular e aumentar a suscetibilidade do pneu a estouros;
  5. Diminuição do peso total de pneu: como o motor necessitará de menor torque para girar o pneu, as perdas por histerese serão reduzidas.

Os dois primeiros itens têm sido usados atualmente mesmo sem comprometer a resistência ao desgaste, o que era mais comum no passado, mas a redução da profundidade dos sulcos e o aumento da pressão de inflação podem afetar sim a vida útil do pneu em comparação com pneus convencionais. Qual é o ganho em termos de economia de combustível ao se usar pneus verdes? Em geral, uma redução de 10% na resistência ao rolamento implica numa redução de consumo da ordem de 1,2 a 2,1%, embora isso irá depender da faixa de resistência ao rolamento do pneu. Existem no mercado pneus com resistência ao rolamento até 40% menor que um pneu equivalente normal, o que, em teoria, reduziria o consumo de combustível entre 5 e 10%. O usuário terá dificuldade em comprovar isso, entretanto, dado o grande número de fatores que influem no consumo, como a qualidade do combustível, variações ambientais, mudanças de itinerário, pressão de inflação etc.

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O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico

– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –