Agrishow 2026 mostra avanço e diversidade nos pneus agrícolas no Brasil
A Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto (SP), mais uma vez reforçou sua posição como o principal evento do agronegócio na América Latina. E, entre máquinas, implementos e soluções digitais, os pneus agrícolas também ganharam protagonismo, refletindo um mercado cada vez mais técnico, segmentado e estratégico. Ao longo da feira, estiveram presentes 11 estandes exclusivos […]
por Juliana Leitão em 04/05/2026 - Atualizado em 04/05/2026
A Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto (SP), mais uma vez reforçou sua posição como o principal evento do agronegócio na América Latina.
E, entre máquinas, implementos e soluções digitais, os pneus agrícolas também ganharam protagonismo, refletindo um mercado cada vez mais técnico, segmentado e estratégico.
Ao longo da feira, estiveram presentes 11 estandes exclusivos de pneus, representando diferentes fabricantes e marcas, o que permitiu uma leitura clara das principais tendências que hoje direcionam o setor no Brasil.

Mais do que um espaço de exposição, a Agrishow funciona como um verdadeiro termômetro do mercado e, ao mesmo tempo, como um direcionador de tendências. É na feira que se tornam visíveis não apenas os movimentos atuais, mas também os caminhos que o setor passa a seguir, especialmente quando se trata de lançamentos, posicionamento tecnológico e estratégias das fabricantes. A Agrishow é uma oportunidade de avaliar o que realmente chega ao mercado e, principalmente, o que de fato pode ser aplicado à nossa realidade no Brasil.


A evolução dos pneus agrícolas também evidência como o tempo de adoção de novas tecnologias no Brasil vem mudando de forma significativa. O pneu radial, desenvolvido pela Michelin em 1946 e introduzido na agricultura em 1959, levou décadas para se consolidar no mercado brasileiro, chegando de forma mais consistente apenas entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, um intervalo de aproximadamente 20 a 30 anos entre desenvolvimento e adoção relevante no país. O mesmo ocorreu com tecnologias mais recentes, como IF (Improved Flexion) e VF (Very High Flexion), desenvolvidas a partir dos anos 2000 e que atingiram maior maturidade na Europa por volta de 2016, chegando ao Brasil praticamente nesse mesmo período, ainda que com adoção gradual. No entanto, esse cenário mudou de forma expressiva nos últimos anos. Tecnologias como CFO e CHO, voltadas para operações com carga cíclica, foram rapidamente incorporadas ao mercado brasileiro assim que consolidadas no exterior. Mais recentemente, a tecnologia PFO, que deu as caras em uma grande feira pela primeira vez em 2025, na Agritechnica (Alemanha), já pôde ser observada poucos meses depois em destaque na Agrishow 2026, não apenas em exibição nos estandes dos fabricantes de pneus, mas também aplicada diretamente nas máquinas expostas pelos fabricantes de equipamentos.
Além disso, outro ponto que reforça essa mudança é o avanço da produção local: já é possível observar fabricantes produzindo no Brasil tecnologias de última geração, como pneus com PFO e CFO, o que indica um nível ainda mais elevado de maturidade e consolidação desse movimento no mercado nacional. Esse encurtamento no tempo de adoção demonstra uma mudança clara no perfil do mercado brasileiro, que se mostra cada vez mais aberto e preparado para incorporar tecnologias voltadas a máquinas de alta potência, contribuindo diretamente para ganhos de eficiência, produtividade e sustentabilidade no campo.


* Juliana Leitão é bacharel em Administração com pós-graduação em Gestão Ambiental e especialista em pneus agrícolas, com mais de 20 anos de experiência em vendas e 15 anos focados em pneus agrícolas e florestais. Atualmente atua como Product Specialist AM & OEM em um fabricante de pneus OHT.
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– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –