O que são pneus esféricos?
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: São pneus com formato de esfera desenvolvidos principalmente pela Goodyear como protótipos conceituais para o futuro e com algumas vantagens em relação aos pneus atuais. Nem todos podem ter percebido, mas no filme I, Robot (Eu, Robô) de 2004, cuja história se passa em 2035, […]
por Mateus Taday em 27/05/2026 - Atualizado em 27/05/2026
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.
José Carlos Quadrelli: São pneus com formato de esfera desenvolvidos principalmente pela Goodyear como protótipos conceituais para o futuro e com algumas vantagens em relação aos pneus atuais.
Nem todos podem ter percebido, mas no filme I, Robot (Eu, Robô) de 2004, cuja história se passa em 2035, o herói dirige um veículo equipado com pneus esféricos, o que aliás é comum aos demais veículos nessa época. Isso permite que os veículos possam andar de lado, por exemplo. Entretanto, não é possível ver como esses pneus se conectam ao veículo.
Posteriormente, em 2016, a Goodyear apresentou, como conceito para o futuro mais distante, os pneus esféricos, denominados Eagle 360. Nessa apresentação os pneus não teriam qualquer conexão mecânica com o veículo, mas usariam a levitação magnética (MagLev) para se conectar a ele, ou seja, o veículo flutuaria acima deles. Além disso, como possuem uma área superficial grande, durariam muito mais que os pneus atuais, podendo até girar de maneira a apresentar uma área menos gasta ao piso se necessário. Também possuiriam sensores internos para detectar as condições do piso para enrijecer ou amolecer a banda de rodagem para otimizar a tração, conceito ampliado em 2017 com a versão Eagle 360 Urban com banda “biônica” capaz de se expandir e contrair e até de se autorreparar. Este tipo de desenvolvimento só se tornará possível com o avanço de sistemas de inteligência artificial e veículos autônomos que permitirão o controle de cada pneu de forma independente.
Embora os pneus esféricos possam permitir que o veículo rode em qualquer direção e sua área maior aumentaria a vida útil em relação a um pneu comum, o problema ainda reside na conexão com o veículo para que a potência do motor seja transmitida aos mesmos na ausência de eixos. Uma possibilidade é encapsular cada pneu com aros com esferas menores ao seu redor para que isso fosse possível, como fez a Citroën com a sua plataforma de veículo Autonomous Mobility Vision (Visão de Mobilidade Autônoma, numa tradução livre), apresentado em 2021 e em parceria com a Goodyear.
Entretanto, até que tais pneus cheguem ao mercado, novos desenvolvimentos terão de ser feitos, como a definição e controle da pressão de inflação (se forem mesmo infláveis) que definirá o tamanho e área da zona de contato de cada pneu (contact patch, em inglês), que seria circular e não retangular com num pneu normal, e os materiais a serem empregados na rodagem. Este último ponto é crítico já que o desgaste da rodagem poderá ser desigual uma vez que as áreas da banda em contato com o piso podem variar continuamente.
Image by kjpargeter on Magnific

* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –