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Pirelli encerra 2025 com lucro em alta e conturbada disputa entre acionistas

A Pirelli anunciou os resultados preliminares de 2025, mostrando que a empresa atingiu as metas financeiras traçadas para o ano apesar de um ambiente de incertezas macreconômicas e volatilidade cambial. A receita consolidada foi de cerca de €6,776 bilhões (aproximadamente R$38,9 bilhões), com crescimento orgânico de 4,2 % excluindo efeitos de câmbio e deconsolidação, e […]

por Mateus Taday em 26/02/2026 - Atualizado em 26/02/2026

A Pirelli anunciou os resultados preliminares de 2025, mostrando que a empresa atingiu as metas financeiras traçadas para o ano apesar de um ambiente de incertezas macreconômicas e volatilidade cambial. A receita consolidada foi de cerca de €6,776 bilhões (aproximadamente R$38,9 bilhões), com crescimento orgânico de 4,2 % excluindo efeitos de câmbio e deconsolidação, e a margem EBIT ajustada subiu para 16 % em 2025, acima dos 15,7 % de 2024. O lucro líquido avançou 5,9 % para €530,7 milhões (cerca de R$3,05 bilhões), reforçando resiliência operacional em meio a desafios setoriais.

A geração de caixa antes de dividendos mais que dobrou em relação ao ano anterior, alcançando mais de €1,07 bilhão (cerca de R$6,1 bilhões), e a posição financeira líquida foi reduzida para €-1,102 bilhão (aproximadamente R$-6,3 bilhões), bem acima das metas previstas para 2025. A empresa propôs um dividendo total de €0,34 por ação (cerca de R$1,96 por ação), incluindo um componente extraordinário, refletindo resultados robustos e a redução da alavancagem financeira.

No quarto trimestre, a receita foi de €1,581 bilhão (aproximadamente R$9,1 bilhões), com crescimento orgânico superior a 6 % excluindo efeitos de câmbio, e o lucro do período se manteve estável em relação a 2024, indicando consistência operacional mesmo em tempos desafiadores.

Para 2026, a companhia espera que as receitas fiquem entre €6,7 bilhões e €6,9 bilhões (entre R$38,5 bilhões e R$39,6 bilhões), com manutenção da margem EBIT ajustada em cerca de 16 % e geração de caixa operacional antes de dividendos de cerca de €500 milhões (cerca de R$2,9 bilhões), além de uma posição financeira líquida projetada em cerca de €-1,2 bilhão (aproximadamente R$-6,9 bilhões).

O desempenho financeiro ocorre em meio a uma conturbada disputa entre acionistas, sobretudo entre o grupo estatal chinês Sinochem, maior acionista com cerca de 34 % da companhia, e a italiana Camfin, que detém em torno de 25 % das ações. A tensão intensificou-se recentemente após o conselho de administração rejeitar uma proposta de desmembramento da tecnologia Cyber Tyre — um sistema de pneus conectados e sensores avançados — sugerida por Sinochem como forma de mitigar entraves regulatórios, especialmente no mercado dos EUA, onde crescem restrições a tecnologias com influência chinesa.

A manutenção da estratégia integrada para o desenvolvimento da tecnologia Cyber Tyre foi defendida pela maioria dos diretores, sob o argumento de que qualquer segregação dessa unidade poderia comprometer sinergias, know-how e competitividade, exacerbando disputas de governança internas que já influenciam decisões estratégicas da companhia.

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