Pirelli nega acusações sobre operações na Rússia
A Pirelli rejeitou as acusações feitas pela Grizzly Research, empresa norte-americana especializada em relatórios financeiros e operações vendidas, conhecidas como short selling. O material divulgado pela Grizzly afirma que a fabricante italiana teria uma dependência maior do que a declarada de suas operações na Rússia e manteria relações próximas com estruturas ligadas ao Estado russo. […]
por Mateus Taday em 04/06/2026 - Atualizado em 04/06/2026
A Pirelli rejeitou as acusações feitas pela Grizzly Research, empresa norte-americana especializada em relatórios financeiros e operações vendidas, conhecidas como short selling. O material divulgado pela Grizzly afirma que a fabricante italiana teria uma dependência maior do que a declarada de suas operações na Rússia e manteria relações próximas com estruturas ligadas ao Estado russo.
Segundo a Grizzly, documentos obtidos na Rússia indicariam que cerca de 10% do lucro líquido da Pirelli viria das operações no país. A firma também afirma que a fábrica de Kirov estaria localizada em um complexo industrial que abriga uma produtora estatal russa de pneus e que haveria compartilhamento de infraestrutura crítica entre as unidades.
Pirelli contesta relatório da Grizzly
Em comunicado divulgado em 4 de junho de 2026, a Pirelli afirmou que o conteúdo do relatório “não corresponde à verdade”. A companhia também declarou que não produz pneus destinados ao uso militar, informação que, segundo a empresa, já havia sido comunicada às autoridades italianas competentes.
A fabricante informou ainda que acionou o escritório Gatti Pavesi Bianchi Ludovici Studio Legale Associato para tomar medidas legais em todas as jurisdições contra os responsáveis pela divulgação das informações que considera falsas. A empresa afirmou que a decisão busca proteger seus acionistas e a reputação da companhia.
A reação ocorreu após forte volatilidade das ações da Pirelli em Milão. Segundo a Reuters, os papéis chegaram a cair 13,4% na abertura do mercado, atingindo o menor nível em um ano, antes de recuperar parte das perdas depois da manifestação da fabricante.
Acusações envolvem fábricas e sanções
O relatório da Grizzly também afirma que a Pirelli ainda opera duas fábricas na Rússia, em Voronezh e Kirov, e que concorrentes como Nokian, Michelin, Continental, Goodyear e Bridgestone venderam ou deixaram suas operações russas após a invasão da Ucrânia. A empresa norte-americana sustenta que a permanência da Pirelli no país poderia criar riscos comerciais, reputacionais e de segurança para o Ocidente.
A Pirelli, por sua vez, havia informado em 2022 que era contrária à guerra e que havia suspendido novos investimentos na Rússia, mantendo apenas atividades necessárias para custear salários e serviços sociais aos funcionários. Até o momento, as acusações da Grizzly não foram confirmadas por autoridades regulatórias, e a fabricante italiana afirma que irá contestar judicialmente o conteúdo divulgado.