Sinochem vende 14% da Pirelli a bilionário checo
A Sinochem vendeu uma participação de 14% na Pirelli ao empresário checo Michal Strnad, controlador do grupo industrial e de defesa Czechoslovak Group. A operação reduz significativamente a presença do conglomerado estatal chinês no capital da fabricante italiana de pneus. O negócio confirma as negociações antecipadas pelo 54PSI no início de julho. Na ocasião, Strnad […]
por Mateus Taday em 31/07/2026 - Atualizado em 31/07/2026
A Sinochem vendeu uma participação de 14% na Pirelli ao empresário checo Michal Strnad, controlador do grupo industrial e de defesa Czechoslovak Group. A operação reduz significativamente a presença do conglomerado estatal chinês no capital da fabricante italiana de pneus.
O negócio confirma as negociações antecipadas pelo 54PSI no início de julho. Na ocasião, Strnad e o empresário Pavel Tykač apareciam como potenciais interessados em adquirir entre 10% e 20% da companhia, mas a operação acabou sendo concluída apenas por Strnad, por meio da empresa de investimentos Lumina Crown.
Camfin passa a ser a maior acionista
As ações foram negociadas por € 6,50 cada, avaliando a participação de 14% em aproximadamente US$ 1,14 bilhão (€ 987 milhões). Com a venda, a participação da Sinochem caiu de 34,1% para 20,1%, tornando o grupo chinês o segundo maior acionista da Pirelli.
A Camfin, veículo de investimentos ligado ao presidente-executivo Marco Tronchetti Provera, passa a ocupar a posição de maior acionista, com cerca de 26% do capital. A Lumina Crown torna-se a terceira maior investidora, com os 14% adquiridos da Sinochem. Segundo a empresa de Strnad, o investimento tem caráter de longo prazo.
A transação ocorre depois de anos de disputas entre os principais acionistas da Pirelli e de intervenções do governo italiano para limitar a influência da Sinochem. Roma utilizou os poderes especiais conhecidos como “golden power” para restringir a representação chinesa no conselho e impedir que indicados pelo grupo ocupem cargos como presidente ou CEO.
A redução da participação chinesa também pode diminuir obstáculos regulatórios para os planos da Pirelli nos Estados Unidos, especialmente diante das restrições norte-americanas relacionadas a tecnologias automotivas conectadas controladas por empresas chinesas. A Sinochem foi assessorada pelo BNP Paribas, enquanto a Lumina Crown contou com a Jefferies na operação.