Onde a inovação e a tecnologia impulsionam o universo dos pneus.

Corporativo

Checos miram fatia chinesa da Pirelli

Empresários checos estariam avaliando a compra de parte da participação da Sinochem na Pirelli, em uma possível operação capaz de alterar novamente o equilíbrio acionário da fabricante italiana de pneus. A movimentação ainda não foi confirmada oficialmente pelas empresas envolvidas e, por isso, deve ser tratada como uma negociação preliminar. Segundo informações publicadas inicialmente pelo […]

por Mateus Taday em 08/07/2026 - Atualizado em 08/07/2026

Empresários checos estariam avaliando a compra de parte da participação da Sinochem na Pirelli, em uma possível operação capaz de alterar novamente o equilíbrio acionário da fabricante italiana de pneus. A movimentação ainda não foi confirmada oficialmente pelas empresas envolvidas e, por isso, deve ser tratada como uma negociação preliminar.

Segundo informações publicadas inicialmente pelo Corriere della Sera e repercutidas pela Reuters, Michal Strnad, ligado ao grupo Czechoslovak Group, e Pavel Tykač, da Sev.en Global Investments, demonstraram interesse em adquirir uma fatia entre 10% e 20% do capital da Pirelli hoje detida pela Sinochem. A Reuters informou que a Pirelli preferiu não comentar o assunto.

Operação poderia reduzir peso chinês na Pirelli

A Sinochem é atualmente a maior acionista da Pirelli, por meio da Marco Polo International Italy, com participação de 34,1%. A Camfin, veículo de investimento associado a Marco Tronchetti Provera, aparece como outro acionista relevante, com participação próxima de 27%.

Relatos posteriores da imprensa financeira indicaram que Strnad estaria em conversas para comprar uma fatia de cerca de 14% da Pirelli, em uma transação avaliada em mais de € 1 bilhão. Nesse cenário, a Sinochem manteria uma participação em torno de 20%, ainda relevante, mas menor do que a atual. A aprovação de autoridades chinesas é apontada como um dos principais obstáculos para qualquer acordo.

Governança e EUA estão no centro da disputa

A possível venda ocorre em meio a uma disputa mais ampla sobre a governança da Pirelli e sobre os limites da influência chinesa na companhia. Em abril, o governo italiano impôs novas restrições à Marco Polo e à CNRC, ligada à Sinochem, usando os chamados poderes especiais de “golden power”. As medidas limitam a indicação de representantes ao conselho e impedem que indicados por esse grupo ocupem cargos como presidente, vice-presidente ou CEO.

O tema ganhou peso por causa da estratégia tecnológica da Pirelli, especialmente com o Cyber Tyre, pneu conectado capaz de coletar e processar dados. Para Roma, a tecnologia envolve ativos considerados estratégicos. Para a Pirelli e seus acionistas italianos, a presença chinesa também pode dificultar planos de expansão nos Estados Unidos, mercado em que regras contra tecnologias chinesas no setor automotivo vêm se tornando mais rígidas.

Tópicos