O que significam aqueles pontos coloridos nas laterais dos pneus?
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: Eles são colocados nas laterais dos pneus pelos seus fabricantes para orientar sua montagem nas rodas com o objetivo de otimizar o balanceamento e outros parâmetros dinâmicos do conjunto, como explicaremos a seguir. As montadoras de veículos normalmente solicitam que os fabricantes de pneus indiquem […]
por Mateus Taday em 08/06/2026 - Atualizado em 08/06/2026
54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.
José Carlos Quadrelli: Eles são colocados nas laterais dos pneus pelos seus fabricantes para orientar sua montagem nas rodas com o objetivo de otimizar o balanceamento e outros parâmetros dinâmicos do conjunto, como explicaremos a seguir.
As montadoras de veículos normalmente solicitam que os fabricantes de pneus indiquem a melhor posição de montagem dos pneus nas rodas para otimizar o desempenho do conjunto, principalmente em termos de redução das vibrações causadas por desbalanceamentos. Isso é feito através da colocação de marcas redondas coloridas ou pontos (dots, em inglês) nas suas laterais. Como existem pontos de várias cores, é importante saber o significado de cada um, já que eles também podem ser usados para orientar a montagem na reposição, caso estejam presentes. A seguir informamos os principais tipos encontrados:
1. Ponto Amarelo: indica o ponto mais leve do pneu (na prática é marcado o ponto oposto ao ponto mais pesado). Se o pneu só tem este ponto, o mesmo deve ser alinhado com a posição do bico de válvula da roda, que é o ponto mais pesado da roda. Com isso se reduz a quantidade de pesos de balanceamento necessários para balancear o conjunto;
2. Ponto Vermelho: indica o ponto de maior excentricidade radial do pneu (ou de variação de força radial). Quando existir, este ponto deve ser alinhado com o ponto de menor excentricidade radial da roda se este foi indicado na mesma (através de uma covinha, ponto pintado ou etiqueta, por exemplo). Isso irá reduzir a força radial total que gera vibrações no plano da roda (desbalanceamento estático) e dará a melhor condição para o balanceamento. Ele não deve ser alinhado com o bico de válvula e não é o ponto mais pesado do pneu como alguns vídeos na web erroneamente informam. Existem os seguintes casos a considerar:
a. Pneu tem ponto vermelho e ponto amarelo: se a roda não tiver nenhuma indicação, deve-se alinhar o ponto amarelo com a posição do bico de válvula da roda, mas se a roda tem indicação, o ponto vermelho deve ser alinhado com essa indicação da roda (e não o bico da válvula);
b. Pneu só tem ponto vermelho e roda possui indicação: deve-se alinhar o ponto com o ponto indicado na roda, o que irá fornecer a força radial mínima e o menor desbalanceamento estático;
c. Pneu só tem ponto vermelho e roda não tem indicação: deve-se proceder à montagem e balanceamento ignorando o mesmo (não alinhar o ponto vermelho com o bico de válvula da roda);
3. Ponto Branco: esta marcação é menos comum e geralmente tem o mesmo significado do ponto amarelo;
4. Ponto Azul: este tem vários significados de acordo com o fabricante, mas pode ser desconsiderado para efeito de montagem e balanceamento. É utilizado geralmente para orientar a montadora do veículo para fazer a montagem casada (match-mounting, em inglês) de pneus montados em determinado eixo para reduzir efeitos de conicidade, por exemplo. Assim, um pneu que tenha um ponto azul de um lado geraria uma força lateral que tenderia a puxar o veículo para aquele lado. Casado com um pneu com o ponto azul do lado externo do outro lado tenderia a eliminar, ou pelo menos reduzir essa tendência direcional (ver artigo https://54psi.com/coluna-do-quadrelpor-que-alguns-carros-puxam-para-um-lado-como-resolver/ ).
Finalmente, se o pneu não tem qualquer ponto colorido na lateral, o que é mais comum em pneus vendidos somente para reposição e não equipamento original, deve-se proceder ao balanceamento normal sem se importar com a posição do bico da válvula da roda.
Image by macrovector_official on Magnific

* Nascido em 20/11/57 em São Paulo-SP, formou-se em engenharia mecânica na Poli/USP em 1981 e obteve mestrado na mesma área pelo Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1985. Trabalhou inicialmente na área de tubulações industriais pela Promon Engenharia e depois como sócio fundador da Frontenge Engenharia, empresa de consultoria em projeto industrial. Em 1994 foi contratado pela Bridgestone do Brasil onde exerceu os cargos de engenheiro de campo depois gerente e gerente geral de engenharia de vendas até 2020 quando se aposentou e hoje atua como consultor. É autor de 2 livros, um deles sobre pneus. É casado e tem uma filha.
O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico
– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –