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Água no pneu? Entenda o papel do lastro líquido

O uso da água como lastro nos pneus agrícolas é comum no Brasil e influencia diretamente a tração, a compactação do solo e a vida útil do pneu. Saiba quando, como e quanto utilizar para obter o melhor desempenho no campo. No setor agrícola, lastragem é um termo fundamental para quem busca extrair o máximo […]

por Juliana Leitão em 12/08/2026 - Atualizado em 12/08/2026

O uso da água como lastro nos pneus agrícolas é comum no Brasil e influencia diretamente a tração, a compactação do solo e a vida útil do pneu. Saiba quando, como e quanto utilizar para obter o melhor desempenho no campo.

No setor agrícola, lastragem é um termo fundamental para quem busca extrair o máximo desempenho de tratores e máquinas.
Trata-se do ajuste de peso aplicado ao conjunto roda/pneu para equilibrar a relação entre potência, tração e estabilidade.

Esse ajuste pode ser feito de duas formas: lastro sólido ou lastro líquido.

Lastro Sólido x Lastro Líquido

  • Lastro sólido: pesos metálicos acoplados às rodas ou chassi. É estável, mas menos prático para ajustes rápidos.
  • Lastro líquido: preenchimento parcial do pneu com água (normalmente com aditivo anticongelante/anticorrosivo). É uma solução econômica e eficiente para melhorar tração e estabilidade.

Particularidades do Lastro Líquido no Brasil

Embora o lastro líquido exista em vários países, seu uso é muito mais comum no Brasil.

  • No exterior: geralmente usado como ajuste fino — pequenas variações de peso, como 5 ou 10 kg, impossíveis de serem obtidas com lastro sólido.
  • No Brasil: é largamente empregado como lastragem principal, devido ao custo zero da água.

A indústria de pneus não é contra o uso, mas reforça que ele deve ser feito dentro das recomendações técnicas.

Quanto de Líquido é Recomendado?

De forma geral:
– Pneus diagonais: até 75% do volume interno.
– Pneus radiais: idealmente máximo de 40% do volume.

Estudos da ESALQ/USP e da UNESP indicam que, para pneus radiais, ultrapassar 40% reduz a flexibilidade da carcaça, prejudicando a compactação controlada do solo, o conforto e a vida útil do pneu (Monteiro, Lanças & Guerra, 2011; Barbosa et al., 2005).

Um exemplo prático que eu sempre costumo dar para os meus clientes é o seguinte: imagine uma garrafa PET.

Se você encher essa garrafa até quase a tampa, ou seja, com cerca de 75% de água, ela vai ficar rígida e praticamente impossível de torcer com as mãos.
Agora, se você encher menos da metade, vai perceber que ela se deforma facilmente, permitindo flexão.
O pneu radial funciona de forma parecida. Quanto mais líquido você coloca dentro dele, menos ele consegue flexionar.
Essa flexibilidade é justamente uma das principais vantagens do pneu radial, pois garante maior contato com o solo, menor compactação e melhor desempenho.

E aqui entra algo muito comentado no mercado: quando você passa de 40% de água em um pneu radial, é como se estivesse transformando ele em um pneu diagonal.

Ele perde grande parte da flexibilidade e, com isso, se comporta como um diagonal, que, apesar de ser mais barato, oferece menos benefícios em termos de tração, conforto e preservação do solo.

Isso significa que todo o investimento feito para ter um pneu radial de alta performance acaba sendo parcialmente desperdiçado, e o retorno sobre esse investimento cai consideravelmente.

O lastro líquido é prático, acessível e amplamente aceito, desde que aplicado com critério técnico.

Seguir as recomendações do fabricante (40% para radiais, até 75% para diagonais) é a chave para preservar a performance, evitar desgaste prematuro e garantir que o investimento em pneus agrícolas seja plenamente aproveitado.

Image by magnific

– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –

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