Borracha natural registra aumentos de até 68% em 2026
Os preços internacionais da borracha natural registraram aumentos de até 68% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento do International Rubber Study Group (IRSG). A valorização atingiu diferentes mercados e especificações da matéria-prima, ampliando a pressão sobre os custos de produção da indústria de pneus. O maior […]
por Mateus Taday em 08/10/2026 - Atualizado em 08/10/2026
Os preços internacionais da borracha natural registraram aumentos de até 68% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento do International Rubber Study Group (IRSG). A valorização atingiu diferentes mercados e especificações da matéria-prima, ampliando a pressão sobre os custos de produção da indústria de pneus.
O maior aumento foi observado no indicador europeu TSR20, que acumulou alta de 68% em 12 meses. Na Índia, a borracha RSS3 avançou 46%, enquanto a SIR20 da Indonésia subiu 39%. Os indicadores SMR20 da Malásia e STR20 da Tailândia registraram aumentos de 34% e 33%, respectivamente.
Os dados fazem parte de uma análise do IRSG divulgada em outubro, que identifica uma combinação de oferta restrita, consumo firme, preços elevados do petróleo e da borracha sintética, além de incertezas climáticas. Segundo a entidade, os preços da borracha natural alcançaram os níveis mais elevados em vários anos, com aceleração dos aumentos durante o terceiro trimestre.
Alta atinge os principais mercados produtores
A valorização não ficou restrita a uma origem ou especificação. Os aumentos ocorreram simultaneamente em importantes países produtores do Sudeste Asiático, na Índia e no mercado europeu, indicando uma pressão mais abrangente sobre o abastecimento internacional.
A comparação anual dos preços em setembro mostra a dimensão desse movimento:
| Mercado e especificação | Alta em 12 meses |
|---|---|
| Europa — TSR20 | +68% |
| Índia — RSS3 | +46% |
| Indonésia — SIR20 | +39% |
| Malásia — SMR20 | +34% |
| Tailândia — STR20 | +33% |
Embora os percentuais sejam expressivos, eles representam indicadores específicos de mercado e não significam que todos os compradores industriais estejam pagando aumentos equivalentes. Os custos efetivos dependem da especificação utilizada, da origem, das condições contratuais e do momento das aquisições.
O IRSG também aponta que os preços mais elevados podem estimular a intensificação da extração de látex, contribuindo para aliviar parcialmente as restrições de oferta no curto prazo. Entretanto, fatores estruturais, como o envelhecimento das seringueiras e o ritmo insuficiente de renovação dos plantios, continuam limitando a capacidade de expansão da produção.
Indústria de pneus enfrenta pressão de custos
A borracha natural é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de pneus, especialmente nos segmentos de carga, ônibus e aplicações de maior exigência estrutural. Sua valorização, combinada aos custos de outros insumos, pode reduzir as margens das fabricantes ou levar à revisão das tabelas comerciais.
O cenário ganha relevância diante dos recentes reajustes anunciados por dezenas de fabricantes chinesas de pneus, que vêm tentando compensar o encarecimento da borracha natural, da borracha sintética e de outros componentes. A coincidência dos movimentos reforça a importância dos custos de matérias-primas nas decisões comerciais da indústria, embora os aumentos dos pneus não possam ser atribuídos exclusivamente à borracha natural.
Outro fator de incerteza é o clima. O IRSG identifica a possibilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño como um risco adicional para a oferta, dependendo de seus efeitos sobre as condições de produção nos países exportadores.
Apesar da possibilidade de maior extração em resposta aos preços, a entidade considera que os problemas estruturais de oferta podem sustentar um mercado de borracha natural mais valorizado no longo prazo. Para os fabricantes de pneus, isso significa que a pressão sobre os custos poderá persistir mesmo que ocorram correções temporárias nas cotações internacionais.