EAEU propõe antidumping a pneus de carga asiáticos
A Comissão Econômica Eurasiática (EEC) avançou no processo para aplicar direitos antidumping sobre pneus de carga importados da Tailândia e do Vietnã. O Departamento de Defesa do Mercado Interno publicou em 23 de setembro o relatório final da investigação e recomendou tarifas entre 11,31% e 22,37%, dependendo do fabricante, pelo período de cinco anos. A […]
por Mateus Taday em 27/09/2026 - Atualizado em 25/09/2026
A Comissão Econômica Eurasiática (EEC) avançou no processo para aplicar direitos antidumping sobre pneus de carga importados da Tailândia e do Vietnã. O Departamento de Defesa do Mercado Interno publicou em 23 de setembro o relatório final da investigação e recomendou tarifas entre 11,31% e 22,37%, dependendo do fabricante, pelo período de cinco anos.
A medida afetaria as importações para os cinco países da União Econômica Eurasiática (EAEU): Rússia, Belarus, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão. O processo envolve pneus novos para caminhões, ônibus, veículos de carga, reboques e semirreboques, com aros de 17,5 a 24,5 polegadas e índice de carga superior a 115.
Sailun, Prinx, Maxxis e Jinyu estão entre as afetadas
Para pneus produzidos na Tailândia pela Prinx Chengshan, Maxxis International, General Rubber e LLIT, o relatório recomenda um direito antidumping de 17,05%. Outros produtores tailandeses ficariam sujeitos à alíquota de 22,37%.
No Vietnã, a menor tarifa proposta é de 11,31%, para a Jinyu Tire. Vietnam COFO Tires, Danang Rubber e Haohua teriam uma taxa de 14,99%, enquanto Sailun e ACTR ficariam sujeitas a 16,48%. Para a Advance Tyre e os demais fabricantes vietnamitas, a recomendação é de 17,25%.
A investigação foi aberta em novembro de 2025 após uma solicitação de fabricantes da região, incluindo Belshina, Cordiant e a fábrica de pneus de carga de Nizhnekamsk. Segundo o relatório, entre 2022 e 2024 a produção de pneus de carga dentro da EAEU caiu 5,6%, enquanto a utilização da capacidade instalada recuou 4,9%. O lucro das vendas das fabricantes locais caiu 58,7% no período.
Os produtores argumentaram que pneus originários da Tailândia e do Vietnã continuaram sendo vendidos no mercado da EAEU a preços inferiores aos dos produtos locais. A conclusão do departamento responsável pela investigação foi de que houve dumping e dano material à indústria regional.
Barreiras acompanham mudança da produção asiática
O processo chama atenção porque Tailândia e Vietnã se tornaram importantes bases produtivas para fabricantes chinesas de pneus que ampliaram capacidade fora da China. Sailun, Prinx Chengshan e Jinyu estão entre os grupos que realizaram grandes investimentos industriais no Sudeste Asiático nos últimos anos.
Esse deslocamento da produção para novas origens, entretanto, não elimina o risco de novas medidas comerciais. O movimento já começa a aparecer em diferentes mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, sindicatos argumentam que barreiras direcionadas a determinados países vêm transferindo a produção e as exportações para novas origens.
A EAEU já mantém direitos antidumping sobre pneus de carga fabricados na China, com alíquotas diferentes conforme o produtor. A abertura do processo contra Tailândia e Vietnã amplia o alcance das medidas justamente para duas das principais alternativas usadas por fabricantes asiáticos para abastecer mercados internacionais.
As tarifas propostas no relatório de 23 de setembro ainda não entraram em vigor. A publicação representa a conclusão técnica da investigação e a recomendação do Departamento de Defesa do Mercado Interno; a aplicação dos direitos dependerá agora de decisão formal da Comissão Econômica Eurasiática.