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EXLUSIVO: Sailun retoma projeto de fábrica no Brasil e coloca Santa Catarina e Minas Gerais na disputa

Entrevista de Karen Kornilovicz para o 54PSI. Após um hiato de dois anos, o projeto da Sailun para construir uma fábrica de pneus no Brasil deve finalmente sair do papel. Em conversa exclusiva com o 54PSI, Leandro Oliveira, diretor da Business Unit de Equipamento Original e Revenda PCR no Brasil da companhia, confirmou que os […]

por Karen Kornilovicz em 13/08/2026 - Atualizado em 13/08/2026

Entrevista de Karen Kornilovicz para o 54PSI.

Após um hiato de dois anos, o projeto da Sailun para construir uma fábrica de pneus no Brasil deve finalmente sair do papel. Em conversa exclusiva com o 54PSI, Leandro Oliveira, diretor da Business Unit de Equipamento Original e Revenda PCR no Brasil da companhia, confirmou que os planos avançaram e que a primeira fase da unidade está prevista para entrar em operação no primeiro trimestre de 2028. A localização, entretanto, ainda não foi definida: Santa Catarina e Minas Gerais são os dois estados que permanecem na disputa.

A expectativa é de que o anúncio oficial do investimento seja realizado em breve pela companhia, em comunicação à Bolsa de Xangai. O projeto é uma retomada de uma iniciativa apresentada inicialmente em 2024, quando a Sailun avaliava investir cerca de R$ 2 bilhões na instalação de uma fábrica no país. Na época, pelo menos quatro estados eram considerados para receber a unidade, entre eles Santa Catarina, que chegou a receber representantes da empresa e apresentar uma proposta para o empreendimento. Desde então, porém, não havia confirmação pública sobre a continuidade do projeto ou sobre o estado escolhido.

Segundo Leandro Oliveira, o investimento de aproximadamente R$ 2 bilhões continua sendo uma referência para o projeto, mas o valor final dependerá do cronograma de implantação das diferentes etapas da fábrica. A capacidade inicial de produção também ainda está em definição e deverá levar em conta, entre outros fatores, as negociações da empresa com montadoras para fornecimento dos pneus da marca como equipamento original.

“Estamos nos ajustes finais para a definição da fábrica. Santa Catarina e Minas Gerais são os dois estados que permanecem na disputa, e a primeira fase da produção está projetada para o primeiro trimestre de 2028”, afirma Oliveira.

A primeira etapa da unidade deverá ser concentrada na produção de pneus para veículos de passeio, segmento em que a Sailun vem ampliando sua presença no mercado brasileiro. Dependendo da evolução das negociações com montadoras, o projeto poderá posteriormente incorporar outras categorias, como pneus para caminhões e ônibus.

Investimento em um mercado pressionado pelos importados

A decisão de avançar com uma fábrica ocorre em um momento particularmente desafiador para a indústria nacional de pneus. Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) mostram que as vendas de pneus produzidos no Brasil vêm sendo pressionadas pela concorrência dos importados. No primeiro trimestre de 2026, as vendas da indústria nacional recuaram 7% e somaram 8,7 milhões de unidades.

No primeiro semestre, segundo os dados da associação, as vendas de pneus de passeio, comerciais leves e de carga fabricados no país caíram 6,8%, passando de 19,1 milhões para 17,8 milhões de unidades. No mesmo período, as importações avançaram 81,2%.

Mesmo diante desse cenário, a Sailun entende que a produção local faz sentido. A companhia aposta na combinação entre fabricação nacional, tecnologia e competitividade para disputar espaço no mercado brasileiro e latino-americano. A empresa também avalia que a adoção futura de medidas antidumping pode contribuir para estabelecer condições mais equilibradas de competição e preservar a indústria instalada no país.

Para a Sailun, entretanto, a questão não é simplesmente restringir a concorrência internacional, mas impedir a entrada de produtos de baixa qualidade que possam distorcer o mercado. “A nossa intenção não é bloquear marcas consolidadas, mas frear a entrada de produtos sem qualidade. Com uma fábrica no Brasil, conseguimos oferecer tecnologia, competitividade e qualidade produzidas localmente”, explica Oliveira.

Estratégia global

A instalação de uma fábrica no Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla da Sailun de se consolidar como uma fabricante global de pneus. Fundada em 2002, em Qingdao, na China, a empresa figura entre as dez maiores fabricantes mundiais.

Em 2025, o grupo registrou receita de US$ 5,45 bilhões, alta de 15,69% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, a receita chegou a US$ 1,4 bilhão, crescimento de 12,48% na comparação anual.

A companhia comercializa seus produtos em mais de 180 países e conta com quatro centros globais de pesquisa e desenvolvimento, nove bases de produção e outras três unidades em construção. Seu portfólio reúne pneus para veículos de passeio (PCR), caminhões e ônibus (TBR), aplicações fora de estrada (OTR) e agrícola.

A estratégia internacional inclui fábricas em países como Vietnã, Camboja, Indonésia, Egito e México. A meta declarada pela empresa é ampliar rapidamente sua capacidade global de produção e deixar de ser percebida exclusivamente como uma fabricante chinesa.

No Brasil, esse movimento também passa pelo mercado de equipamento priginal. A Sailun já possui pneus homologados para veículos comercializados no país e tem acordos de fornecimento para algumas montadoras, como BYD e Denza.

Tecnologia como diferencial

Outro elemento central do projeto brasileiro é a tecnologia. A unidade deverá utilizar equipamentos da Mesnac, empresa do grupo especializada em máquinas e sistemas para fabricação de pneus, além de incorporar processos desenvolvidos pela própria Sailun.

Inicialmente, a produção brasileira deverá atender o mercado doméstico e outros países da América Latina. A estrutura, entretanto, poderá ser utilizada também para exportações para outros mercados, conforme a evolução da demanda e da capacidade instalada.

“O Brasil é estratégico para a nossa expansão na América Latina. Queremos construir uma operação competitiva, tecnológica e preparada para crescer junto com o mercado. A fábrica será parte importante da transformação da Sailun em uma empresa cada vez mais global”, conclui Leandro Oliveira.

Foto: Sailun.

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