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Déficit comercial de pneus cresce 84% no Brasil

O déficit comercial brasileiro de pneus atingiu US$ 725,16 milhões entre janeiro e setembro de 2026, aumento de 83,95% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 394,22 milhões. Segundo levantamento da Logcomex, elaborado com dados oficiais do Comex Stat, as importações cresceram 27,64%, alcançando US$ 1,72 bilhão, enquanto […]

por Mateus Taday em 23/10/2026 - Atualizado em 23/10/2026

O déficit comercial brasileiro de pneus atingiu US$ 725,16 milhões entre janeiro e setembro de 2026, aumento de 83,95% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 394,22 milhões. Segundo levantamento da Logcomex, elaborado com dados oficiais do Comex Stat, as importações cresceram 27,64%, alcançando US$ 1,72 bilhão, enquanto as exportações avançaram apenas 4,32%, para US$ 993 milhões.

A diferença também aumentou em volume físico. O Brasil importou aproximadamente 640 mil toneladas de pneus nos primeiros nove meses do ano, crescimento de 41,35%, enquanto as exportações somaram 191 mil toneladas, alta de apenas 1,58%. Assim, o país importou 3,35 toneladas de pneus para cada tonelada exportada, ante uma relação de 2,41 em 2025. O crescimento mais acelerado do volume importado em comparação ao valor também indica redução do preço médio por tonelada dos produtos adquiridos no exterior.

Pneus de carga e passeio concentram o déficit

Os segmentos de pneus de carga e passeio responderam por 70,28% do déficit comercial do setor, com saldo negativo conjunto de US$ 509,65 milhões. Nos pneus destinados a caminhões e ônibus, as importações cresceram 60,36%, chegando a US$ 657,59 milhões, enquanto as exportações aumentaram 8,67%, para US$ 415,29 milhões. O déficit desse segmento passou de US$ 27,92 milhões para US$ 242,31 milhões, quase nove vezes o registrado no mesmo período de 2025.

Nos pneus de passeio, as importações aumentaram 27,93%, para US$ 631,51 milhões, enquanto as exportações recuaram 7,68%, para US$ 364,17 milhões. O déficit dessa categoria chegou a US$ 267,34 milhões, crescimento de 169,64%. A China respondeu por aproximadamente 74% das importações brasileiras desse segmento, mantendo ampla liderança no fornecimento de pneus de passeio.

Embora a China continue sendo a principal origem das importações brasileiras de pneus, com 42,23% do valor total, o maior avanço ocorreu em outros mercados asiáticos. As compras do Vietnã cresceram 48,04%, alcançando US$ 315,09 milhões, enquanto as importações do Camboja aumentaram 155,47%, para US$ 120,19 milhões. A Indonésia registrou expansão de 322,90%, chegando a US$ 76,01 milhões. Juntos, esses três países responderam por 62,74% do aumento das importações brasileiras no período.

Argentina perde espaço nas exportações brasileiras

Entre os destinos dos pneus produzidos no Brasil, a principal mudança foi a perda de participação da Argentina. As exportações brasileiras para o mercado argentino recuaram 23,02%, passando de US$ 192,77 milhões para US$ 148,40 milhões. Com isso, a Argentina caiu da segunda para a terceira posição entre os maiores compradores de pneus brasileiros, sendo ultrapassada pelo México, cujas compras cresceram 32,17%, para US$ 162,46 milhões. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, absorvendo US$ 382,18 milhões, equivalentes a 38,49% das exportações.

O levantamento evidencia uma deterioração da balança comercial brasileira de pneus, provocada principalmente pelo crescimento das compras externas, enquanto as exportações apresentam avanço limitado e retração em mercados tradicionais. Os resultados acrescentam uma dimensão financeira aos dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), que já apontavam maior participação dos importados no mercado de reposição brasileiro. A evolução dos fluxos comerciais reforça o debate sobre competitividade industrial e medidas de defesa comercial, embora o déficit, isoladamente, não permita determinar seus efeitos sobre produção, emprego ou rentabilidade das fabricantes nacionais.

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