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Análise completa: Nexen vende mais, mas lucro cai 61%

A Nexen Tire registrou crescimento de 4,4% na receita do terceiro trimestre de 2026, mas seu lucro operacional caiu 61,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A fabricante sul-coreana faturou KRW 814,8 bilhões (US$ 608,7 milhões), enquanto o lucro operacional recuou de KRW 46,5 bilhões (US$ 34,7 milhões) para KRW 18,1 bilhões (US$ […]

por Mateus Taday em 06/11/2026 - Atualizado em 05/11/2026

A Nexen Tire aumentou sua receita em 4,4% no terceiro trimestre de 2026, alcançando KRW 814,8 bilhões (US$ 608,7 milhões), mas registrou queda de 61,1% no lucro operacional, para KRW 18,1 bilhões (US$ 13,5 milhões). A margem operacional recuou de aproximadamente 6% para 2,2%, enquanto o resultado líquido passou de lucro para prejuízo de KRW 46,6 bilhões (US$ 34,8 milhões). O desempenho mostra que o crescimento das vendas não foi suficiente para compensar o aumento dos custos industriais e logísticos.

A Europa liderou a expansão comercial, com crescimento de 8,8% na receita, para KRW 349,1 bilhões (US$ 260,8 milhões), e participação de 43% no faturamento global. A fabricante também ampliou as vendas de pneus para rodas de 18 polegadas ou maiores e registrou avanços expressivos nas categorias all-weather e de inverno. Apesar dessas mudanças, a participação dos custos de produção na receita aumentou 2,6 pontos percentuais, pressionando as margens.

Nos primeiros nove meses de 2026, a receita acumulada cresceu 8%, para KRW 2,54 trilhões (US$ 1,90 bilhão), mas o lucro operacional caiu 17,9%, para KRW 106,6 bilhões (US$ 79,6 milhões), e o lucro líquido recuou 86,3%, para KRW 15,6 bilhões (US$ 11,7 milhões). A recuperação da Nexen dependerá da estabilização das matérias-primas e dos fretes, da evolução cambial e da capacidade de transformar a expansão dos produtos de maior valor agregado em rentabilidade sustentável..


A Nexen Tire registrou crescimento de 4,4% na receita do terceiro trimestre de 2026, mas seu lucro operacional caiu 61,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A fabricante sul-coreana faturou KRW 814,8 bilhões (US$ 608,7 milhões), enquanto o lucro operacional recuou de KRW 46,5 bilhões (US$ 34,7 milhões) para KRW 18,1 bilhões (US$ 13,5 milhões). Os resultados, divulgados em 4 de novembro, revelam uma deterioração expressiva da rentabilidade, apesar do avanço das vendas na Europa e da maior participação de pneus de valor agregado.

A situação é mais desfavorável quando se considera o resultado líquido. A companhia registrou prejuízo de KRW 46,6 bilhões (US$ 34,8 milhões), revertendo o lucro de KRW 54,8 bilhões (US$ 40,9 milhões) obtido no terceiro trimestre de 2025. O resultado antes dos impostos também passou de lucro de KRW 70,6 bilhões (US$ 52,7 milhões) para perda de KRW 78,9 bilhões (US$ 58,9 milhões). A diferença entre o lucro operacional positivo e o prejuízo final indica um impacto negativo relevante de componentes não operacionais, embora a divulgação preliminar não permita atribuir integralmente essa deterioração a um único fator.

Custos absorvem crescimento da receita

O principal problema da Nexen foi a incapacidade de compensar o aumento dos custos de produção e distribuição. O custo dos produtos vendidos passou a representar 74% da receita, ante 71,4% um ano antes. Consequentemente, a margem bruta caiu de aproximadamente 28,6% para 26%. A empresa atribuiu a pressão ao encarecimento das matérias-primas, ao aumento dos fretes marítimos e aos efeitos das condições geopolíticas sobre a cadeia de suprimentos. A valorização do won sul-coreano também prejudicou o desempenho financeiro.

A comparação com o trimestre imediatamente anterior confirma o enfraquecimento das margens. Entre abril e junho, a Nexen havia registrado receita de KRW 891,3 bilhões (US$ 665,9 milhões) e lucro operacional de KRW 34,3 bilhões (US$ 25,6 milhões). No terceiro trimestre, o faturamento caiu 8,6% e o lucro operacional diminuiu 47,4%. A margem operacional passou de 3,9% para 2,2%, depois de ter alcançado aproximadamente 6% no mesmo período de 2025. Portanto, a deterioração ocorreu tanto na comparação anual quanto na sequencial.

O resultado acumulado também mostra a dificuldade de converter expansão comercial em lucro. Nos primeiros nove meses de 2026, a receita cresceu 8%, para KRW 2,54 trilhões (US$ 1,90 bilhão), enquanto o lucro operacional diminuiu 17,9%, para KRW 106,6 bilhões (US$ 79,6 milhões). O lucro líquido acumulado caiu 86,3%, para aproximadamente KRW 15,6 bilhões (US$ 11,7 milhões). A trajetória indica que a pressão sobre a rentabilidade se intensificou ao longo do ano, especialmente após um primeiro trimestre relativamente mais favorável.

Europa cresce e produtos premium ganham participação

A Europa foi o principal motor do crescimento comercial. A receita regional aumentou 8,8%, para KRW 349,1 bilhões (US$ 260,8 milhões), representando 43% do faturamento consolidado. A América do Norte respondeu por 21%, a Coreia do Sul por 18% e os demais mercados pelos 18% restantes. Entretanto, o avanço europeu contrasta com a redução de 5,1% das vendas norte-americanas, informada pela imprensa especializada, em um cenário de demanda mais fraca.

A fabricante continuou ampliando a participação de pneus para rodas de 18 polegadas ou maiores, que passaram a representar 41,5% das vendas, aumento de 3,4 pontos percentuais na comparação anual. Na Europa, a participação desses produtos alcançou 32,2%, avanço de 7,3 pontos percentuais. Nos Estados Unidos, chegou a 51,1%. O movimento é relevante porque a mudança na composição das vendas pode contribuir para melhorar os preços médios e reduzir a dependência de segmentos mais sensíveis à concorrência por preço.

Os pneus para todas as condições climáticas e os modelos de inverno também apresentaram crescimento. Entre janeiro e setembro, a receita com pneus all-weather aumentou 31,3%, enquanto os produtos de inverno avançaram 11,7%. A Nexen relacionou esse desempenho à expansão de seu portfólio, incluindo o Winguard Sport 3 na Europa e o N’Blue 4Season 2 em mercados como Coreia do Sul e Estados Unidos. Essas categorias oferecem oportunidades comerciais em regiões com exigências climáticas e regulamentares específicas, mas ainda não conseguiram neutralizar o aumento dos custos industriais.

A expansão das vendas europeias também deve ser considerada à luz da estrutura internacional de fabricação da Nexen, que mantém unidades na Coreia do Sul, China e República Tcheca. A produção europeia representa uma vantagem potencial para o abastecimento regional, embora os resultados divulgados não quantifiquem a contribuição individual das fábricas nem permitam determinar seus respectivos índices de utilização. Da mesma forma, a companhia não apresentou resultados específicos para o Brasil e a América do Sul.

Recuperação depende de custos e preços

A evolução dos preços de matérias-primas e dos fretes será determinante para o desempenho dos próximos trimestres. A empresa considera que a maior participação de pneus premium poderá contribuir para recuperar as margens caso essas pressões diminuam. Entretanto, essa possibilidade depende de condições externas que permanecem incertas. A melhora da composição das vendas, isoladamente, não foi suficiente para impedir a queda de 61,1% no lucro operacional.

A Nexen também informou estar desenvolvendo sistemas de gestão e rastreabilidade de sua cadeia de suprimentos para atender às exigências regulatórias europeias, especialmente às relacionadas ao desmatamento e à comunicação ambiental de produtos. Embora essas iniciativas possam reduzir riscos de conformidade, também exigem adaptações operacionais e comerciais. A empresa não quantificou os custos associados a essas mudanças na divulgação trimestral.

A principal conclusão é que a Nexen continua encontrando demanda para produtos de maior valor agregado, sobretudo na Europa, mas perdeu capacidade de transformar esse crescimento em resultados financeiros. A queda das margens, o prejuízo líquido e a redução do lucro acumulado mostram que a recuperação dependerá de uma combinação de preços mais favoráveis, controle dos custos de produção e logística e estabilidade cambial. O próximo desafio será demonstrar que o crescimento das vendas pode voltar a produzir ganhos consistentes de rentabilidade.

Imagem: Nexen.

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