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Coluna do Quadrelli: deve-se usar “macarrão” para reparar furos em pneus?

O 54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder. José Carlos Quadrelli: Em princípio, não, mas pode ser usado temporariamente, como explicaremos a seguir. Os pneus de veículos de passeio e caminhonete podem ser reparados, mas devem seguir algumas recomendações e normas para serem permitidos e funcionarem adequadamente. Esses pneus são passíveis de reparo quando sofrem […]

por José Carlos Quadrelli em 20/08/2025 - Atualizado em 03/11/2025

O 54PSI convida José Carlos Quadrelli para responder.

José Carlos Quadrelli: Em princípio, não, mas pode ser usado temporariamente, como explicaremos a seguir.

Os pneus de veículos de passeio e caminhonete podem ser reparados, mas devem seguir algumas recomendações e normas para serem permitidos e funcionarem adequadamente. Esses pneus são passíveis de reparo quando sofrem danos que perfuram a banda de rodagem como furos causados por pregos ou parafusos e pequenos cortes ou rasgos ocasionados por objetos encontrados na pista como metais, vidros e pedras, por exemplo. Danos ocasionados nas laterais (flancos) dos pneus não são reparáveis em pneus passeio, mas alguns, dependendo da extensão, podem ser reparados em pneus de caminhonete. O número máximo de reparos por pneu, distância mínima entre os mesmos e tamanhos máximos de danos são definidos pela norma ABNT Mercosul NBR NM 225:2000.

Os furos na banda de rodagem com diâmetro até 6 mm para pneus passeio e 8 mm para pneus de caminhonete (após a preparação para o conserto) podem ser reparados com os seguintes tipos de reparos:

  1. Reparo temporário: também conhecido como “macarrão” devido ao formato. É formado por tiras de borracha entrelaçadas, normalmente de cor marrom ou preta. É o reparo atualmente usado pela grande maioria de borracheiros, revendedores de pneus e concessionárias de veículos apesar de ser recomendado apenas como sendo para uso emergencial (até se conseguir trocá-lo por um reparo definitivo). A razão disso é que ele é aplicado sem se desmontar o pneu para se observar a extensão do dano na parte interna e a trajetória da perfuração e sem se efetuar uma limpeza interna. Além disso, não veda o estanque, apenas preenche o furo em si;
  • Reparos tipo manchão: estes reparos consistem em folhetas de borracha redondas que são aplicadas na parte interna do pneu ou por vulcanização (reparo a quente) ou por colagem (reparo a frio). Não são os mais adequados já que apenas vedam a parte interna do pneu para impedir o escape de ar, mas não preenchem o furo na banda de rodagem, o que permitirá a entrada de sujeira e umidade, que podem comprometer a estrutura do pneu com o tempo. São mais apropriados para reparos em câmaras de ar;
  • Reparo de borracha ou combinado: este é o reparo definitivo, também conhecido como “plugue” ou “chapeuzinho” devido ao seu formato. É o mais recomendado já que efetua a vedação do estanque e preenche o furo. É formado por uma base plana circular de borracha, na cor azul ou preta, de onde sai uma haste vertical com um pino metálico. Requer a desmontagem do pneu, raspagem e limpeza da região do furo no interior do pneu e aplicação de um adesivo. A haste é introduzida no furo e o excesso é cortado, o que garante o seu preenchimento.

Como vemos, o reparo combinado é o tipo ideal e definitivo, mas ainda podemos usar os outros dois? No caso do manchão, podemos caso se preencha o furo com borracha não vulcanizada a quente. Com isso, se evita a entrada de contaminantes e umidade e ele fica equivalente ao reparo combinado. No caso, é preciso ver se quem executa o reparo tem essa possibilidade.

E no caso do “macarrão”? Caso a troca por um reparo combinado não seja possível de imediato, como numa viagem ou uso emergencial do veículo, por exemplo, se feito com cuidado (exigindo do reparador a desmontagem do pneu para verificação e limpeza internas), ele até pode ter uma duração razoável. Entretanto, é sempre recomendável substituí-lo pelo reparo combinado assim que possível já que o risco de falha do reparo temporário é sempre maior do que com o primeiro, mesmo que se conte com a perícia do reparador. E nesse interim, a verificação semanal da pressão de inflação se torna mais importante para garantir que não haja perda de ar pelo reparo.

É importante lembrar também de se efetuar o balanceamento do pneu após qualquer um dos reparos mencionados já que essa operação introduz uma massa não balanceada no pneu e que deve ser compensada para não gerar vibrações.

Ilustração gerada por IA

O Pneu de Automóvel: Um Guia Básico

– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –