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Do selo à cultura: o que a etiquetagem, o estepe e os “borrachões” revelam sobre o motorista brasileiro

A atenção do consumidor brasileiro aos pneus vai muito além das especificações técnicas. Cada vez mais, temas como etiquetagem de desempenho, o uso adequado do estepe e até práticas culturais como os famosos “borrachões” têm sido foco de interesse em buscas online e debates entre entusiastas e especialistas. Esses elementos revelam uma crescente preocupação com […]

por Carlos Barcha em 01/09/2025 - Atualizado em 02/09/2025

A atenção do consumidor brasileiro aos pneus vai muito além das especificações técnicas. Cada vez mais, temas como etiquetagem de desempenho, o uso adequado do estepe e até práticas culturais como os famosos “borrachões” têm sido foco de interesse em buscas online e debates entre entusiastas e especialistas. Esses elementos revelam uma crescente preocupação com segurança, sustentabilidade e o comportamento automotivo no país.

Desde 2016, todos os pneus de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus vendidos no Brasil devem exibir a etiqueta do Inmetro, conforme a Portaria n.º 544/2012. Essa etiqueta avalia três critérios principais: resistência ao rolamento (eficiência energética), aderência em pista molhada (segurança) e nível de ruído externo (conforto ambiental). As classificações variam de A (melhor desempenho) até G (menor desempenho), com o objetivo de informar o consumidor de forma transparente, similar ao que ocorre com eletrodomésticos.

No entanto, pesquisas apontam que ainda há desconhecimento: um levantamento da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) indicou que menos de 40% dos consumidores consultam ou compreendem essas informações antes da compra.

Outro ponto recorrente é o uso e manutenção do pneu reserva, o famoso estepe. Embora muitos motoristas o considerem apenas um item de emergência, ele é obrigatório por lei (Art. 230 do CTB) e deve estar em condições mínimas de segurança, mesmo quando do tipo temporário, do tipo T-type, com medida e limite de velocidade reduzidos.

Um pneu estepe com mais de cinco anos de fabricação ou sem calibragem pode tornar-se inútil em caso de emergência. A manutenção preventiva, que inclui a conferência da pressão e do estado da banda de rodagem, deve ser feita a cada 15 dias, recomendam os fabricantes.

No extremo oposto da condução responsável, a prática dos chamados “borrachões”, manobras que consistem em arrancadas com queima excessiva de borracha, continua popular em vídeos online e eventos clandestinos.

Embora algumas pessoas vejam nisso um ritual de celebração ou exibição, trata-se de uma prática proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro, com multas e apreensão do veículo, além dos riscos à integridade dos pneus, do pavimento e dos espectadores, uma ez que o superaquecimento causado por essas manobras pode causar delaminação da banda de rodagem ou até explosões.

O contraste entre esses três temas, etiqueta, estepe e borrachões, reflete uma cultura automotiva em transformação. De um lado, cresce o interesse por segurança, eficiência e regulamentação; de outro, persiste uma veia cultural ligada à performance e à ostentação.

O desafio, portanto, está em fortalecer a educação técnica e cívica dos condutores, promovendo o uso consciente dos pneus e valorizando a segurança como pilar da mobilidade.

– As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do 54PSI –

Foto: Freepik