Argentina 2026: crise de 40% expõe fragilidades e setor de recapagem busca reconstrução
O setor de recapagem na Argentina encerrou 2025 com retração média de aproximadamente 40%, segundo avaliação publicada por Daniel Rojas em fevereiro de 2026. O ano foi descrito como um dos mais duros da história recente da indústria, afetando toda a cadeia de valor — fabricação, importação, distribuição e serviços — em meio a um […]
por Mateus Taday em 24/02/2026 - Atualizado em 23/02/2026
O setor de recapagem na Argentina encerrou 2025 com retração média de aproximadamente 40%, segundo avaliação publicada por Daniel Rojas em fevereiro de 2026. O ano foi descrito como um dos mais duros da história recente da indústria, afetando toda a cadeia de valor — fabricação, importação, distribuição e serviços — em meio a um ambiente macroeconômico ainda instável e políticas comerciais amplamente abertas.
Pressão de importados e crise interna de coesão
O avanço de pneus asiáticos de baixo custo, que já era percebido como risco em 2024, tornou-se realidade em 2025. No entanto, o diagnóstico do setor aponta que não houve uma “invasão externa” propriamente dita. A importação e comercialização desses produtos foi impulsionada principalmente por empresas domésticas oportunistas, muitas sem histórico no setor, que encontraram terreno favorável em um mercado fragilizado.
De acordo com a análise, o impacto foi profundo: os preços médios da recapagem atingiram níveis historicamente baixos em comparação regional, e a relação de custo entre pneus novos e recapados tornou-se, possivelmente, inédita. Parte do dano foi considerada autoinfligida, resultado de disputas internas, comportamentos defensivos e perda de disciplina comercial sob pressão extrema.
A questão central, segundo o diagnóstico, não é apenas concorrencial, mas estrutural. Competir com pneus de baixíssimo preço torna-se especialmente difícil em um país com custos elevados de energia, logística, tributação e financiamento. Além disso, produtos de baixa qualidade tendem a gerar passivos ambientais, transferindo custos de descarte ao sistema e à sociedade.
O cenário foi agravado por uma economia que ainda não consolidou recuperação sustentável, afetando diversos segmentos industriais. O setor de recapagem, em muitos casos, resistiu às mudanças sem promover reestruturações adequadas, o que ampliou o impacto da contração.
Para 2026, a mensagem é clara: o futuro da recapagem argentina dependerá menos de mudanças no ciclo econômico ou em políticas comerciais e mais da capacidade do próprio setor de reconstruir disciplina, valor agregado e visão coletiva. A Asociación de Reconstructores Argentinos de Neumáticos (ARAN) afirma que a prioridade será reposicionar a recapagem como atividade industrial estratégica, vinculada à segurança viária, eficiência econômica e sustentabilidade ambiental.
Baseado no texto de Daniel Rojas para Retreading Business.