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Tensão no Estreito de Hormuz pode elevar preço dos pneus no Brasil

A escalada do conflito no Oriente Médio e as ameaças de bloqueio do Estreito de Hormuz acenderam o alerta em cadeias industriais dependentes de petróleo e transporte marítimo. No setor de pneus, o impacto aparece no custo de matérias-primas, no frete internacional e na disponibilidade de produtos, com reflexos potenciais no mercado brasileiro. Ventila-se, inclusive, […]

por Lara Roibone em 16/03/2026 - Atualizado em 16/03/2026

A escalada do conflito no Oriente Médio e as ameaças de bloqueio do Estreito de Hormuz acenderam o alerta em cadeias industriais dependentes de petróleo e transporte marítimo. No setor de pneus, o impacto aparece no custo de matérias-primas, no frete internacional e na disponibilidade de produtos, com reflexos potenciais no mercado brasileiro.

Ventila-se, inclusive, que avisos sobre aumento da tabela de preços pode começar a circular a partir da primeira semana de abril. O assunto foi discutido na noite da última quinta-feira, 12 de março, no canal da Clínica do Pneu no Youtube.

Cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa pela região do Golfo Pérsico. Em cenários de tensão geopolítica, qualquer risco de interrupção tende a provocar alta imediata nas cotações internacionais.

Nos últimos dias, o barril chegou a se aproximar de US$ 119, após oscilar em torno de US$ 76. Para a indústria de pneus, a relação é direta: aproximadamente 60% das matérias-primas usadas na fabricação têm origem petroquímica, como borracha sintética, negro de fumo e outros compostos químicos.

Analistas estimam que, em um cenário prolongado de interrupção no fluxo pelo Estreito de Hormuz, o custo desses insumos pode subir entre 15% e 25%. Como representam parcela relevante da estrutura de custos da indústria de pneumáticos, o efeito tende a chegar ao preço final do produto. E pode não demorar.

Logística e produção sob pressão

A composição de um pneu inclui diversos materiais sensíveis ao preço das commodities. Entre eles estão o negro de fumo, responsável por cerca de 18% da composição, a borracha sintética (23%) e o aço utilizado na estrutura interna.

Com a valorização dessas matérias-primas, especialistas do setor estimam que o custo de produção pode subir cerca de 11% caso o cenário de tensão geopolítica persista.

A situação é agravada por restrições comerciais envolvendo a Rússia, tradicional fornecedora de negro de fumo e outros insumos químicos. As sanções reduziram a oferta global desses materiais.

A tensão na região também afeta o transporte marítimo. O risco para embarcações tem levado companhias de navegação a revisar rotas e elevar prêmios de seguro.

Desvios no trajeto podem acrescentar até duas semanas às viagens e elevar o custo de frete de contêineres em cerca de 40%. O encarecimento do transporte atinge tanto a importação de matérias-primas quanto a chegada de pneus acabados ao país.

Mercado brasileiro e pneus importados

Para o Brasil, que depende de insumos e produtos vindos da Ásia, a alta do frete tende a se espalhar rapidamente pela cadeia de abastecimento.

O aumento do petróleo também influencia o preço do diesel, encarecendo o transporte rodoviário e pressionando os custos logísticos no país. Nas bombas brasileiras, a alta recente do combustível foi de cerca de 8%.

Executivos da indústria avaliam que a combinação de insumos mais caros, fretes elevados e volatilidade em commodities industriais tende a pressionar os preços ao longo de toda a cadeia automotiva.

O comércio exterior também entra nessa equação. Parte do significativa do abastecimento do mercado brasileiro depende de pneus importados, sobretudo em nichos específicos nos quais a produção nacional não atende totalmente à demanda.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP), esses produtos ajudam a complementar a oferta e ampliam a concorrência no mercado. “A exposição da cadeia de pneus a choques externos é relevante porque grande parte das matérias-primas tem origem petroquímica. Quando o petróleo sobe ou o frete internacional fica mais caro, os custos acabam pressionados ao longo de toda a cadeia”, destacou o presidente da entidade, Ricardo Alípio, na live.

Ele comentou que o mercado brasileiro costuma apresentar alguma capacidade de adaptação, apoiado na diversidade de fornecedores e na existência de estoques previamente contratados. Caso a tensão geopolítica se prolongue, porém, a tendência é que empresas revisem custos e avaliem ajustes graduais de preços.

Diante do cenário de volatilidade, especialistas recomendam atenção redobrada à gestão de estoques e à manutenção de pneus, especialmente para transportadoras e frotistas.

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