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África do Sul negocia fábricas chinesas de pneus

O governo da província de Eastern Cape, na África do Sul, mantém negociações avançadas com fabricantes chinesas de pneus interessadas em produzir no país. As conversas fazem parte de uma tentativa de recompor a capacidade industrial perdida após o fechamento da fábrica da Goodyear em Kariega. A informação foi confirmada pelo premier provincial Oscar Mabuyane, […]

por Mateus Taday em 21/08/2026 - Atualizado em 19/08/2026

O governo da província de Eastern Cape, na África do Sul, mantém negociações avançadas com fabricantes chinesas de pneus interessadas em produzir no país. As conversas fazem parte de uma tentativa de recompor a capacidade industrial perdida após o fechamento da fábrica da Goodyear em Kariega.

A informação foi confirmada pelo premier provincial Oscar Mabuyane, segundo o jornal sul-africano News24. O governo não identificou todas as empresas envolvidas nem informou se alguma delas já tomou uma decisão definitiva de investimento.

O projeto mais avançado conhecido envolve a Sailun. A fabricante chinesa realiza estudos de viabilidade para instalar uma fábrica de pneus e uma operação de reciclagem na Zona Econômica Especial de Coega, próxima ao Porto de Ngqura.

Sailun estuda fábrica de US$ 123 milhões

O investimento proposto pela Sailun é de aproximadamente US$ 123 milhões (2 bilhões de rands). Segundo informações divulgadas pelo governo sul-africano, a unidade ocuparia uma área de 20 hectares, com cerca de 100 mil m² destinados à produção.

A primeira etapa teria capacidade anual para fabricar 1 milhão de pneus de passeio e 300 mil pneus para caminhões e ônibus. Expansões posteriores poderiam elevar esses volumes de acordo com a demanda.

O projeto prevê geração própria de energia renovável, sistemas de armazenamento em baterias e uso de água industrial tratada. A localização permitiria atender os países da União Aduaneira da África Austral e outros mercados da África Subsaariana.

A operação criaria inicialmente cerca de 200 empregos diretos. O número poderia chegar a 800 postos permanentes após as expansões, além de mais de 1.200 empregos indiretos na construção, logística e cadeia de fornecedores.

A Sailun passou a avaliar Coega depois que atrasos afetaram o local originalmente considerado para o empreendimento em outra região da África do Sul. A empresa ainda não anunciou uma decisão final, uma data para o início das obras ou um cronograma de produção.

País tenta recompor capacidade industrial

As negociações ocorrem cerca de um ano depois de a Goodyear encerrar a produção em Kariega, também em Eastern Cape. A fábrica operava havia 78 anos e empregava aproximadamente 900 trabalhadores.

Em agosto de 2025, o sindicato Numsa informou que buscava, em conjunto com o governo, um investidor capaz de assumir a infraestrutura industrial. A entidade afirmou que a Goodyear não pretendia manter a produção, apesar das tentativas de preservar a unidade e os empregos. O comunicado sindical também registrou o acordo firmado para o pagamento das indenizações.

O possível investimento chinês contrasta com a redução recente da produção local, mas também pode intensificar a concorrência com Bridgestone, Continental e Sumitomo Rubber, fabricantes já instaladas no país.

Em outro movimento de fortalecimento da produção sul-africana, a Dunlop, controlada pela Sumitomo Rubber Industries, concluiu recentemente um investimento de aproximadamente US$ 104,6 milhões (1,7 bilhão de rands) na fábrica de uMnambithi, antiga Ladysmith. A modernização ampliou a capacidade para pneus de passeio, SUVs e veículos comerciais leves destinados ao mercado local e às exportações africanas.

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