Argentina perde única produção de borracha sintética após crise dos pneus
A Argentina deixou de produzir borracha sintética após o encerramento definitivo da linha da Pampa Energía em Puerto General San Martín, na província de Santa Fe. A operação era a única fabricante do insumo no país e teve sua continuidade considerada inviável diante da forte retração do mercado doméstico, especialmente após o fechamento da fábrica […]
por Mateus Taday em 09/09/2026 - Atualizado em 08/09/2026
A Argentina deixou de produzir borracha sintética após o encerramento definitivo da linha da Pampa Energía em Puerto General San Martín, na província de Santa Fe. A operação era a única fabricante do insumo no país e teve sua continuidade considerada inviável diante da forte retração do mercado doméstico, especialmente após o fechamento da fábrica de pneus da Fate.
A Pampa havia anunciado em julho a decisão de descontinuar a operação, que empregava cerca de 130 pessoas. Após semanas de negociações com o Sindicato de Obreros y Empleados Petroquímicos Unidos (SOEPU) e o governo de Santa Fe, aproximadamente 100 trabalhadores aceitaram planos de desligamento voluntário e outros 25 deverão ser realocados em empresas e projetos ligados ao grupo. O restante das atividades do complexo petroquímico continuará funcionando normalmente.
Fechamento da Fate atinge fornecedores
A decisão mostra como a crise da indústria argentina de pneus começa a atingir outros elos da cadeia produtiva. A Fate, que encerrou em fevereiro sua fábrica de Virreyes e desligou cerca de 920 trabalhadores, era um dos principais compradores da borracha sintética produzida pela Pampa. Em 2025, a companhia comercializou 41 mil toneladas de borracha sintética, queda de 8% sobre o ano anterior, enquanto o preço médio recuou 12%, para US$ 1.615 por tonelada.
O fechamento elimina mais uma etapa da cadeia produtiva argentina justamente em um momento de forte avanço das importações de pneus. Com a saída da Fate, Pirelli e Bridgestone permaneceram como as fabricantes com produção local, enquanto a interrupção da linha da Pampa aumenta a dependência externa também no fornecimento de borracha sintética. A sequência mostra que a mudança no mercado argentino não está afetando apenas as fabricantes de pneus, mas começa a reduzir a própria estrutura industrial que as abastece.