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Mais de 60 fabricantes chinesas reajustam preços de pneus

Mais de 60 fabricantes de pneus na China anunciaram reajustes de preços desde o final de agosto, em um movimento que abrange pneus de passeio, carga e aplicações fora de estrada. Os aumentos predominantes variam de 2% a 5%, embora determinadas linhas tenham registrado reajustes de 6% ou superiores quando consideradas alterações sucessivas. A onda […]

por Mateus Taday em 08/10/2026 - Atualizado em 08/10/2026

Mais de 60 fabricantes de pneus na China anunciaram reajustes de preços desde o final de agosto, em um movimento que abrange pneus de passeio, carga e aplicações fora de estrada. Os aumentos predominantes variam de 2% a 5%, embora determinadas linhas tenham registrado reajustes de 6% ou superiores quando consideradas alterações sucessivas.

A onda de aumentos envolve algumas das principais fabricantes do país, incluindo ZC Rubber, Sailun, Linglong, Triangle, Guizhou Tyre e Jiangsu General Science. Levantamentos divulgados pela imprensa econômica chinesa identificaram mais de 70 comunicados de reajuste até meados de setembro, número que continuou crescendo nas semanas seguintes.

A maior parte das novas tabelas entrou em vigor entre setembro e o início de outubro. O movimento ocorre em meio à elevação dos custos de matérias-primas, especialmente borracha natural, borracha sintética e negro de fumo, pressionando as margens de uma indústria que enfrenta forte concorrência no mercado doméstico.

Reajustes atingem praticamente todos os segmentos

Entre os anúncios identificados, a ZC Rubber estabeleceu aumentos de 2% a 5% em determinadas medidas de pneus de carga e posteriormente anunciou ajustes de 3% a 5% em pneus de passeio. A Sailun comunicou reajustes de 2% a 3% para pneus de carga e de 3% a 5% para determinadas linhas de passeio, com implementação em outubro.

A Triangle também anunciou alterações em diferentes segmentos. Em setembro, a fabricante comunicou aumentos de 2% a 3% para pneus comerciais e, posteriormente, reajustes de 2% a 5% para pneus de passeio. A Jiangsu General Science, por sua vez, informou aumentos de 3% a 5% para determinados produtos destinados tanto ao mercado doméstico quanto à exportação.

Uma atualização do levantamento publicada em 7 de outubro identificou comunicados adicionais de 23 fabricantes, incluindo nove empresas que haviam anunciado mais de um reajuste em um intervalo relativamente curto. Em alguns casos, os aumentos sucessivos resultaram em variações acumuladas superiores às faixas normalmente divulgadas para cada alteração individual.

O movimento também alcançou pneus OTR, diagonais e especiais, demonstrando que a pressão de custos não está restrita aos segmentos de passeio e carga.

Custos industriais e possíveis efeitos nas exportações

O encarecimento do negro de fumo tem sido um dos principais fatores apontados pelas fabricantes chinesas. Em setembro, os preços de determinadas especificações registraram aumentos expressivos, acompanhados por reajustes anunciados por fornecedores de insumos químicos. A elevação dos preços da borracha natural e sintética também contribuiu para o aumento dos custos de fabricação.

Algumas empresas passaram a restringir a possibilidade de manutenção de preços mediante pagamentos antecipados, prática utilizada por distribuidores para assegurar condições comerciais antes da entrada em vigor de novas tabelas. A medida indica preocupação com a velocidade das alterações nos custos de produção.

A pressão ocorre em um ambiente de atividade industrial irregular. Dados de mercado referentes a 24 de setembro apontavam utilização de capacidade de 58,47% na produção de pneus radiais totalmente de aço e de 63,04% na produção de pneus de passeio. Parte das paralisações e reduções de atividade coincidiu com o período de feriados nacionais chineses, o que impede atribuir integralmente esses indicadores ao encarecimento das matérias-primas.

Para os mercados internacionais, incluindo a América Latina, o movimento merece atenção porque a China é um dos principais fornecedores mundiais de pneus. Entretanto, os reajustes anunciados não são necessariamente uniformes entre mercado doméstico e exportação. A aplicação efetiva de novos preços dependerá de contratos, fabricantes, segmentos e condições comerciais de cada destino.

A dimensão da onda de reajustes sugere uma tentativa generalizada de recomposição de margens na indústria chinesa. Ainda não é possível determinar quanto desses aumentos será efetivamente absorvido pelos distribuidores ou repassado aos consumidores nos mercados importadores.

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